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Irã quer mais cooperação com Brasil

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TEERÃ - A três dias de sua visita ao Brasil, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou sexta-feira que ambos os países desempenham papéis importantes e merecidos na governança mundial, e cobrou mais cooperação entre os governos. Em artigo, Ahmadinejad classificou de injusta a polêmica em torno do programa nuclear iraniano e reafirmou que a iniciativa tem fins pacíficos. Por outro lado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e seis potências mundiais, que exigem do Irã uma posição favorável ao acordo que visa garantit que Teerã não terá capacidade de produzir armas nucleares, fizeram cobranças a Ahmadinejad.

Alguns poucos poderes arrogantes tentam impedir que outras nações tenham acesso a ciências avançadas, escreveu o líder iraniano. O alastramento da pobreza no mundo, por motivo de políticas econômicas baseadas no pensamento capitalista de acumulação de armamentos de destruição em massa e no armazenamento de armamentos atômicos em países defensores dos direitos humanos, gera o crime e a violência .

O presidente iraniano comentou também os conflitos na Faixa de Gaza e disse que, caso o governo brasileiro condene os ataques, a medida representaria um desejo mútuo dos dois países pela luta contra a opressão e a injustiça, e a favor da paz.

Sobre as relações comerciais entre Brasil e Irã, Ahmadinejad ressaltou que ambas as nações têm grande capacidade em áreas como a agricultura, a pecuária, a indústria e o turismo. Ele afirmou ainda que empresários brasileiros e iranianos buscam parcerias seguras e confiáveis beneficiadas por uma relação econômica equilibrada.

Todas essas semelhanças têm raízes em um espírito terno e em uma cultura muito próxima entre os dois povos. Esse interesse mútuo vence a distância geográfica , disse.

Ahmadinejad elogiou setores como o cinema e a literatura no Irã e no Brasil, e criticou a atuação da imprensa, sobretudo a norte-americana. Ele citou um monopólio da mídia atuando nos Estados Unidos, e disse que isso dificultaria o conhecimento da realidade e das potencialidade iranianas.

O Irã é um território no qual convivem pacífica e cordialmente, há milhares de anos, várias raças, grandes religiões e idiomas diversos , afirmou.

Representantes de seis potências mundiais expressaram desapontamento sexta-feira com a negação do Irã em aceitar o acordo para enviar o urânio enriquecido ao exterior e transformá-lo em combustível para fins médicos em Teerã.

Estamos decepcionados com a falta de compreensão afirmou Robert Cooper, representante da União Europeia, após reunião com oficiais da Grã-Bretanha, França, EUA, Alemanha, Rússia e China.

ElBaradei

O chefe da agência de fiscalização nuclear da ONU exortou sexta-feira o Irã a aceitar o acordo até o fim deste ano, e aconselhou as potências ocidentais a não imporem mais sanções a Teerã. Mohamed ElBaradei, diretor geral da AIEA, disse que o plano mediado pela agência, pelo qual o Irã enviaria urânio pouco enriquecido à Rússia e França para ser convertido em combustível para um reator médico de Teerã ,representa uma chance rara de dissipar a desconfiança em torno do programa nuclear iraniano.

Espero, definitivamente, que cheguemos a um acordo até o final do ano disse ElBaradei em coletiva de imprensa em Berlim. Acredito, francamente, que a decisão agora cabe ao Irã. Espero que os iranianos não deixem passar essa oportunidade única, mas passageira.

ElBaradei, que se aposenta em 30 de novembro, após 12 anos tentando impedir a proliferação da tecnologia de produção de armas nucleares, mandou um recado diretamente à liderança iraniana:

Vocês precisam praticar a diplomacia criativa e compreender que esta é a primeira vez que terão, de um presidente americano, um compromisso genuíno em dialogar plenamente, com base no respeito e sem condições prévias.