Câmara dos EUA aprova lei de reforma do sistema de saúde
Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, por estreita margem, a maior reforma do sistema de saúde em décadas, dando ao presidente Barack Obama uma vitória crucial na batalha que agora segue para o Senado.
Por 220 a 215 votos, contando com o apoio de um republicano ao projeto o deputado Anh Cao da Louisiana , a Câmara aprovou na noite de sábado e após 12 horas de debate, uma lei que estende a cobertura a quase todos os norte-americanos e impede práticas de companhias de seguro como a recusa de tratamento a pessoas com doenças pré-existentes.
Mas para atrair os últimos votos e garantir a passagem da proposta na Câmara, os democratas foram forçados a fazer concessões importantes sobre a cobertura de seguro para abortos, um compromisso doloroso para numerosos defensores da causa.
Muitos democratas ainda têm esperanças de reverter essa alteração durante as negociações com o Senado, que agora se tornou o principal campo de batalha na luta pelas reformas no sistema de saúde.
Assim que o projeto alcançou os 218 votos necessários para aprovação, às 23h07 (02h07 no horário de Brasília), democratas romperam em ovação e aplausos.
Este é o nosso momento de revolucionar o sistema de saúde neste país festejou o deputado George Miller, democrata da Califórnia e um dos principais arquitetos do projeto.
Os democratas poderiam ter perdido o apoio de 40 dos seus 258 deputados e mesmo assim aprovar a lei. No fim, 39 democratas ficaram ao lado dos republicanos.
Mas no Senado, as discussões sobre o assunto prioridade doméstica de Obama estão paralisadas há semanas, já que o líder do Partido Democrata, Harry Reid, ainda busca uma forma para conquistar os 60 votos de que precisa.
Qualquer discordância entre Senado e Câmara terá de ser resolvida e uma lei final deve ser aprovada novamente por ambas as Casas antes de chegar à sanção de Obama.
Oposição
A maioria dos republicanos criticou a medida que custará US$ 1 trilhão, novos impostos sobre os mais ricos e o que chamaram de excessiva interferência do governo no setor privado de saúde. No sábado, republicanos na Câmara condenaram a votação e disseram que iriam se opor à medida que agora segue a sua rota no legislativo.
Esta proposta do governo tem um longo caminho a percorrer antes que chegue à mesa do presidente, e eu vou continuar a lutar com unhas e dentes a cada momento disse o deputado Kevin Brady, republicano do Texas. O sistema de saúde é importante demais para tomarmos uma decisão precipitada.
Reid está esperando estimativas de custo do escritório orçamentário do Congresso (CBO, na sigla em inglês) antes de divulgar um projeto de lei pelo Senado. Mas já tomou uma das decisões mais difíceis: a de incluir no texto o plano de saúde nacional financiado pelo governo.
A reforma geraria as maiores mudanças no sistema de saúde dos EUA, que hoje equivale a US$ 2,5 trilhões, desde a criação do programa governamental Medicare, voltado aos idosos, em 1965.
A votação é um marco e um grande passo para o presidente norte-americano Barack Obama, que usa seu capital político na batalha da reforma do sistema de saúde.
Uma derrota na Câmara teria dado fim ao combate, paralisando o resto de sua agenda legislativa, e deixaria os democratas vulneráveis a duras derrotas nas eleições parlamentares do ano que vem.
"Graças ao trabalho duro da Câmara estamos a dois passos de conquistar a reforma dos planos de saúde nos Estados Unidos. Agora o Senado dos Estados Unidos deve acompanhar e aprovar sua versão da lei. Estou absolutamente confiante de que assim será", disse Obama em comunicado depois da votação.
