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Internacional

Movimentos populares de Honduras se mobilizam pela volta de Zelaya

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Mylena Fiori, Agência Brasil

BRASÍLIA - Cerca de 50 mil pessoas estudantes, professores, camponeses e trabalhadores urbanos participam, neste momento, de uma marcha, no centro de Tegucigalpa, em apoio ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

De acordo com a Agência Bolivariana de Notícias, os movimentos populares pretendem entregar uma carta ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, solicitando a adoção de todas as medidas necessárias para obrigar governo golpista a restituir a ordem constitucional e devolver o poder ao presidente eleito democraticamente.

A marcha, convocada pela Frente Nacional contra o Golpe de Estado, saiu da Universidade Nacional Pedagógica Francisco Morazán em direção à sede da OEA, onde representantes da sociedade civil se reunirão com Insulza. O secretário-geral da OEA está nesta sexta-feira na capital hondurenha para se reunir com membros do governo do presidente de fato, Roberto Micheletti chefe do Legislativo que tomou o poder após o golpe de Estado do último domingo (28) e fazer pressão pela volta de Zelaya.

Na última quarta-feira (1º), a OEA fixou prazo de 72 horas para que Zelaya seja reconduzido ao poder em Honduras. Caso isso não ocorra, a organização ameaça o país de expulsão.

No documento que será entregue pelos movimentos sociais a Insulza, os representantes da sociedade civil contam que, após a expulsão de Zelaya pelas Forças Armadas, os direitos individuais dos cidadãos hondurenhos vêm sendo sistematicamente violados por meio de restrições arbitrárias à liberdade pessoal, fechamento dos meios de comunicação independentes, violação á liberdade de expressão e repressão às mobilizações da sociedade civil

O movimentos ressaltam, ainda, que não há qualquer condenação contra Zelaya que o impeça de exercer seus direitos políticos e de cidadão.

- De maneira contundente, frisamos que nossa Constituição não contempla trâmite algum para que o presidente da República possa ser destituído pelo Congresso Nacional - afirmam.

Também deixam claro que não são seguidores políticos de Zelaya ou do Partido Liberal, ao qual ele pertence.

- Estamos movidos pelo respeito a uma institucionalidade que, ainda que não favoreça a maioria da população, até agora é a base do consenso mínimo da sociedade, sobre o qual se desenvolve e se resolvem os conflitos e a vida de hondurenhos e hondurenhas, e sua modificação será possível na medida em que o povo, no exercício da sua soberania, instaure um novo pacto social baseado na inclusão e na não discriminação - diz o texto, assinado por 21 entidades e movimentos populares.

Entre os que firmam o documento estão a Central Geral de Trabalhadores, a Via Campesina, a Central de Cooperativas de Café, o Centro dos Direitos da Mulher, o Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos e a Organização Nacional Indígena.

Eleito no final de 2005 para mandato que termina em 27 de janeiro de 2010, Manuel Zelaya foi detido por militares e expulso do país no último domingo, horas antes de o país iniciar um plebiscito sobre a possibilidade de incluir, nas eleições gerais de 29 de novembro, consulta sobre a instalação de uma assembleia constituinte para reformar a Constituição do país. A consulta pública foi considerada inconstitucional pelo Parlamento e pela Suprema Corte de Honduras, que determinaram a destituição do presidente.

Mesmo ameaçado de prisão assim que pisar em território hondurenho, Zelaya prometeu voltar ao país amanhã (4).