Especialistas avaliam consequencias da omissão de Obama sobre Gaza
Osmar Freitas Jr , Jornal do Brasil
NOVA YORK - O barulho da guerra em Gaza, na Palestina, não abala o silêncio do presidente eleito americano. Em férias no Havaí, Barack Obama não fez um único pronunciamento sobre o conflito que já matou mais de 400 palestinos (25% deles civis, segundo a ONU) e quatro israelenses. Diante da maior operação militar na região, desde a guerra de 1967, a voz dos Estados Unidos é a do governo George Bush.
O presidente eleito Barack Obama está monitorando com muita atenção os eventos globais, inclusive a situação em Gaza, mas os EUA têm um só presidente no momento disse Brook Anderson, porta-voz de segurança nacional do próximo governo.
Enquanto isso, Obama figura no cenário mundial como a mitológica esfinge indecifrável. Não se sabe ao certo o que pensa sobre a questão Israel-Palestina o homem que em menos de 20 dias vai assumir o governo da maior potência do mundo. E na falta de dados concretos, usam-se as especulações.
O silêncio de Obama é péssimo presságio do que será sua política para o mundo árabe diz Amr El Ebrashi, professor da Universidade do Cairo e visitante da Universidade Columbia. As pessoas que estão em seu círculo de decisões sobre relações exteriores são vistas como muito pró-Israel. A começar pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e o chefe do estafe, Rahm Emanuel.
Nem todos concordam com esta visão. O professor Thomas Shown, da Universidade da Califórnia, acredita que qualquer pronunciamento do presidente eleito, neste caso, traria um complicador a mais ao cenário.
Ao manifestar-se neste momento, Obama não traria nada de positivo. As pessoas, de todas as tendências, já estão pinçando frases do candidato Obama para profetizar as ações do futuro presidente. O mesmo candidato ofereceu uma plataforma de política externa onde ressalta diálogos diplomáticos, mesmo aqueles que o governo Bush interrompeu. Assim, parece claro que o Departamento de Estado de Obama vai procurar diálogos com a Síria e o Irã, que são os patronos do Hamas e têm poderes para interceder favoravelmente num processo de paz observa o professor Shown.
A diplomata Christina Naslund, ex-negociadora da questão palestina do governo Bill Clinton, lembra que as decisões de Obama para este problema ainda dependem do desenrolar de acontecimentos futuros.
A crise em Gaza está em seu período mais crítico, e Obama não tem poderes para intervir de modo efetivo. Sua política para a região só poderá ser aplicada depois da posse. Até lá, a ofensiva israelense já terá sido concluída, para o bem ou para o mal. Não se pode ainda antecipar o cenário futuro: vai depender de como Israel conduzirá suas ações. Vai optar por uma invasão terrestre? questiona Christina.
Para a diplomara, tal decisão seria um desastre, já que o Hamas está contando com luta casa a casa, e ganhará, assim, mais simpatia e apoio de palestinos e de árabes .
Seria mais difícil para o próximo governo americano pressionar seus aliados no Oriente Médio para a busca de uma solução negociada. E a plataforma de Obama para a região indica sua disposição para a continuidade das conversações para a criação de dois Estados separados, a exemplo do que os EUA tentam implantar desde o governo Bill Clinton. Isso somente irá acontecer, caso sejam envolvidos nas deliberações todas as nações da região. Desde o Irã e Síria, até a Arábia Saudita e o Egito. De todo modo, Israel continuará com apoio inequívoco dos americanos avalia Christina.
