Atentado suicida em cerimonial mata 23 no Iraque
REUTERS
BAGDÁ - Um atentado suicida matou pelo menos 23 pessoas nesta sexta-feira em um almoço cerimonial de líderes tribais sunitas árabes em uma cidade ao sul de Bagdá, informou o major-general Qassim Moussawi, porta-voz das forças de segurança iraquianas.
O atentado de sexta-feira ocorreu um dia depois que a presença dos Estados Unidos no Iraque passou a ficar oficialmente sob o comando iraquiano pela primeira vez, de acordo com um pacto de segurança bilateral que entrou em vigor no Ano Novo.
Moussawi disse que 42 pessoas ficaram feridas. As Forças Armadas dos EUA anunciaram que 21 pessoas foram mortas e 44 ficaram feridas. Uma fonte de segurança iraquiana disse que até 30 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.
Moussawi disse que o xeque Mohammed Abdullah Salih, líder sunita da tribo al-Qaraghouli, ofereceu o almoço em sua casa, num subúrbio de Yusufiya, 20 quilômetros ao sul de Bagdá.
O atentado foi conduzido por um parente do anfitrião chamado Amin al-Qaraghouli. Ele entrou na casa pelos fundos e explodiu a si mesmo no meio dos convidados, disse Moussawi. O xeque ficou ferido.
A violência vem sendo drasticamente reduzida no Iraque em relação ao nível mais alto de derramamento de sangue sectário em 2006 e 2007, mas atentados suicidas e outros atos terroristas ainda são rotineiros.
No maior atentado suicida recente, 50 pessoas foram mortas em um restaurante próximo à cidade de Kirkuk, em 11 de dezembro. Um ataque em Bagdá na semana passada matou pelo menos 25 pessoas.
Os militantes sunitas freqüentemente atacam reuniões tribais, uma vez que muitas tribos voltaram-se contra os rebeldes.
Quase seis anos depois da invasão comandada pelos Estados Unidos, o contingente de mais de 140 mil soldados norte-americanos está gradualmente reduzindo suas atividades. A data para a retirada das tropas é o final de 2011.
As forças dos EUA entregaram ao Iraque na quinta-feira o controle da Zona Verde, área central de Bagdá fortemente guardada, que funcionava como o centro do poder dos EUA no Iraque desde 2003. Os militares norte-americanos devem deixar as áreas urbanas do Iraque em meados de 2009, enquanto continuam dando importante ajuda militar, financeira e administrativa ao Iraque.
Autoridades dos EUA e do Iraque temem que a violência aumente antes das eleições provinciais de 31 de janeiro que prometem alterar o delicado equilíbrio de poder no Iraque.
Partidos xiitas no sul do Iraque estão disputando por maior influência, enquanto partidos políticos sunitas tradicionais poderão perder terrenos para novos movimentos ligados a unidades de guardas tribais que ajudaram a conter a violência.
