Constrangimento internacional
Os membros da Comissão de Relações Exteriores (CRE) da Câmara dos Deputados têm a responsabilidade de representar o Legislativo brasileiro em missões diplomáticas. Era de se esperar, portanto, que os escolhidos para esta função estivessem acima de qualquer suspeita, mas, na prática, nem sempre isso ocorre.
Entre os membros da SRE, encontram-se dois parlamentares alvos de fortes acusações de corrupção. São eles Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Jaqueline Roriz (PMN-DF).
Leréia, que se declara amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, foi flagrado em escutas da Polícia Federal recebendo a senha do cartão de crédito do contraventor.
Jaqueline Roriz, filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, foi filmada ao receber dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. Ela admitiu, inclusive, que o usaria no caixa 2 da campanha.
Enquanto o tucano foi livrado pelos colegas do indiciamento no relatório final da CPMI do Cachoeira, Jaqueline teve o pedido de cassação negado em votação no plenário.
Para o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), também membro da CRE, a presença de parlamentares denunciados gera um constrangimento:
"É uma comissão importante, que recebe muitas delegações estrangeiras e tem uma grande relevância política. Isso sempre traz problema para a imagem do Parlamento. É uma comissão que mereceria quadros políticos com maior capacitação, para dar respostas aos temas propostos, de suma importância para o país", avalia.
mas, como ele mesmo admite, há interesses escusos entre alguns dos participantes da comissão:
"Há muita gente na comissão por conta de viagens internacionais e de outros interesses que não coadunam com a função. Mas a escolha dos quadros é dos partidos, são eles que devem explicar os critérios para indicação", explica.
