Hora de abrir a caixa-preta da dívida interna brasileira
A Comissão de Finanças e tributação da Câmara realizou, na quinta-feira, um seminário sobre a crise financeira internacional e os palestrantes presentes deixaram bem claro: para evitar que a crise estrangeira se repita no Brasil no futuro, é preciso auditar a dívida interna do país. Na Europa, já há movimentos civis criando comitês de avaliação da dívida nos países mais prejudicados, como Grécia, Espanha e Portugal.
Tamanho do rombo
De acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), a dívida interna brasileira gira em torno de R$ 2,3 trilhões. Em 2010, 43% do Orçamento foi dedicado exclusivamente ao pagamento de juros e amortizações do montante. "A auditoria é crucial para tirar anomalias e irregularidades da dívida. Temos de atacar as raízes do problema”, disse o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico do Equador Pedro Paez.
Anistia da dívida
Presente no evento, o francês Eric Toussaint chegou a sugerir a anulação da dívida externa dos países mais pobres, inclusive os Brics emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ele é o presidente do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo.
"O total da dívida pública externa dos países do Terceiro Mundo é apenas 1% da dívida global mundial. Uma anulação dessa dívida externa é uma gota no oceano das dívidas mundiais", disse Toussaint.
