Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Informe JB

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Jan Theophilo


Ernesto Geisel

Jornal do Brasil

Geisel foi um ditador militar diferente sim; não é para ser jogado na vala comum dos outros. A frase consta de um pequeno artigo que o ex-senador Roberto Saturnino Braga (leia a íntegra abaixo) fez circular ontem em um grupo restrito de amigos. “Não tenho nem procuração, nem razão pessoal para defender Geisel nesta decisão grave de concordar com a execução de presos esquerdistas durante a Ditadura. É absolutamente condenável”, afirma Saturnino. “Dito isto, vale também uma referência ao seu destacado protagonismo no processo de emancipação e de desenvolvimento do País. O II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), com Reis Velloso no Ministério do Planejamento e Severo Gomes no Ministério da Indústria, colocou o Brasil numa situação nunca antes atingida em termos de desenvolvimento e avanço industrial”. Em seu texto, Saturnino destaca as realizações do governo Geisel que, para ele, foi o “último general nacionalista do Brasil”. E finaliza, de modo todo particular: “Ademais, ademais, não dou crédito a informações da CIA que sempre, de uma forma ou de outra, quer destruir nossos valores político-econômicos e impedir o desenvolvimento do Brasil como potência independente”.

Onde está o dinheiro? 

Lembra da novela do prédio da UNE? Em 2010 o Senado aprovou por unanimidade projeto de reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre a destruição da sede da entidade nos anos 60. Foi arbitrada uma indenização de R$ 30 milhões e Oscar Niemeyer fez de graça o projeto de uma nova sede de 13 andares, com cinemas, teatro e museu. Passados oito anos... nada aconteceu. 

Parece que sumiu 

O tesoureiro da UNE, Ivo Braga, afirma que a entidade não tem satisfação alguma a dar a respeito do dinheirão que recebeu do governo. “Não falamos sobre esse assunto com a imprensa”, diz Ivo. “Não estava escrito em lugar algum que a indenização deveria ser usada para construir um prédio”. Não custa lembrar que a UNE é um aparelhaço-aço-aço do PC do B. 

Negócio inegociável 

O trio de pré-candidatos do MDB ao governo entrou na muda. Ninguém mais diz nada sobre suas ambições eleitorais. Há quem diga que a ideia de lançar um candidato para defender o legado de Cabral e Pezão não passa de marcação de posição para negociar o inegociável: indicar um nome para vice de Eduardo Paes.

A luta continua 

O PSOL não foge à luta. Os advogados do partido entrarão ainda essa semana na justiça com um recurso contra a liminar que devolveu os direitos políticos a Eduardo Paes e Pedro Paulo.

Papo cabeça 

Índio da Costa e Romário sentaram-se ontem para um papo cabeça. O deputado saiu convencido de que a candidatura do Baixinho dessa vez é mesmo pra valer. Sei não...

Doação 

O arquivo de Marco Aurélio Garcia, assessor de relações internacionais do PT, morto ano passado, foi doado à Unicamp pela família do ex-professor de História, que deu aulas na universidade de Campinas  São mais de 10 mil livros, além de cartas e outros documentos reunidos nas fases de militância em partidos clandestinos pós-64, em seu exílio no Chile e em Paris e desde a fundação do PT. 

Cena carioca 

Ambulante adentrou ontem num vagão do Metrô na Carioca oferecendo uma incrível multiferramenta com lanterna embutida por R$ 10. No fim da explicação sobre a engenhoca, cravou: “Esse produto é de Moscou....Moscou, a guarda municipal leva”.

LANCE LIVRE

Luiz Otavio Nazar, diretor do Hospital Geral do Ingá, filiou-se ao Podemos, a convite do senador Romário. O professor e dentista Dr. Avelino Veit, que já atendeu gratuitamente mais de 20 mil jovens residentes em áreas de risco com a ação social Natal Azul, a Medalha Tiradentes. O Projeto Criolice comemora seu aniversário de oito anos com roda de samba no próximo domingo, no point do Baile de Charme do Viaduto de Madureira. 

                                                                ***

ERNESTO GEISEL

Por Roberto Saturnino Braga

“Não tenho nem procuração, nem razão pessoal para defender o general Geisel nesta decisão grave de concordar com a contionuidade de execuções de presos esquerdistas durante a Ditadura. É absolutamente condenável e indefensável. A versão que apareceu dá conta da sua hesitação, do pedido de praz para pensar mas nada disso, na verdade, reduz o horror da decisão tomada, que permitiu que outras execuções hediondas fossem feitas.

O que faz o general Geisel diferente dos demais chefes da ditadura militar é que ele demitiu o Comandante do Segundo Exército (São Paulo) depois do assassinato do operário Manoel Fiel e, mais, demitiu o poderoso general Frota, Ministro do Exército. líder da chamada linha dura, que sabidamente apoiava a tortura e as execuções. E pode-se bem supor que, a partir dessas demissões, não tivesse havida mais execuções. E, neste caso, ele teria anulado sua horrenda decisão anterior

O que o faz diferente dos outros, também, é sua determinação de iniciar o processo de democratização, com a abertura  `lenta, gradual e segura', à qual Figueiredo deu continuidade com a anistia ampla, geral e irrestrita. Isto é, o generalGeisel deu, efetivamente, o impuslo inicial e uma contribuição importante para o processo de redemocratização do Brasil.

Dito isto, vale também uma referência ao seu destacado protagonismo no processo de emancipação e de desenvolvimento do País. O II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), com Reis Velloso no Ministério do Planejamento e Severo Gomes no Ministério da Indústria, colocou o Brasil numa situação nunca antes atingida em termos de desenvolvimento e avanço industrial. O sucesso internacional da Embraer com o modelo comercial 'Brasília'; a criação da COBRA (Computadores do Brasil), que viria a produzir o primeiro computador brasileiro, posteriormente sabotada e extinta pelos interesses do Grande Capital apoiados pela mídia de sempre; o crescimento do BNDE que passou a ser o maior banco de fomento do mundo (maior que o Banco Mundial) e o estímulo governamental aos industriais brasileiros (Mindlin, Bardella, Romi, Matarazzo, José Ermírio, etc...) tudo isto produziu um quadro de desenvolvimento industrial e econômico que verdadeiramente brasileiro nunca mais se repetiu.

Geisel rompeu o Acordo Militar Brasil-EUA, assinou o Acordo Nuclear com a Alemanha, criou a Nuclebras, que passou a a desenvolver a política nuclear brasileira, mudou a linha da política externa,  foi um presidente realmente nacionalista, como não tinha havido outro desde Getúlio Vargas. Ernesto Geisel foi o último general nacionalista no Brasil, uma espécie que, infelizmente, se extinguiu com ele (e com o grande general Euler Bentes). E toda essa relevantíssima face da atuação dele tem que ser levada em conta: foi um ditador militar diferente sim; não é para ser jogado na vala comum dos outros.

Ademais....ademais....eu não dou crédito a informações da CIA, que sempre, de uma forma ou de outra, quer destruir nossos valores político-econômicos e impedir o desenvolvimento do Brasil como potência independente”.



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