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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018 Fundado em 1891

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Debatedores defendem medidas para proteger frentistas e motoristas contra gases tóxicos da gasolina

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Os postos de combustíveis poderão ser obrigados a encher o tanque de veículos apenas até o automático, sem que o motorista precise pedir por isso. A medida está prevista em projeto de lei (PL n° 3327/2015), que foi discutido nesta terça-feira (07/11) pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara.

A proposta, do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), proíbe o preenchimento do tanque após o acionamento automático da trava de segurança da bomba de abastecimento para controlar a evaporação de substâncias tóxicas, como o benzeno, que são liberadas pela gasolina.

Na audiência da comissão de Meio Ambiente, foram discutidas tecnologias de controle de emissões evaporativas veiculares 

Representantes do governo, dos fabricantes de veículos, de empresas que produzem equipamentos para controlar a emissão e donos de postos de combustíveis participaram da audiência.

Viviane Forte, coordenadora-geral de Fiscalização de Segurança e Saúde do Ministério do Trabalho, expôs os detalhes de uma norma que, desde o ano passado, estabelece parâmetros para proteger a saúde dos frentistas e dos condutores.

Ela ressaltou que é preciso uma mudança de cultura por parte do consumidor para abandonar alguns hábitos. "Se completa mais um pouquinho o tanque e derrama combustível, aí o trabalhador vai lá com um paninho e limpa. Tudo isso potencializa a exposição dele aos vapores da gasolina, que contêm benzeno."

Mudança de sistema

O consultor ambiental Gabriel Murgel Branco defendeu a adoção da chamada "tecnologia embarcada nos veículos", um sistema instalado nos automóveis que retém 98% dos gases tóxicos e reaproveita os vapores como combustível.

O deputado Carlos Gomes (PRB-RS), que é relator do projeto na Comissão de Seguridade Social e Família e solicitou a audiência, disse que pretende incorporar essa ideia em seu parecer.

"Resolve a questão da exposição do trabalhador, resolve a exposição também do condutor que está abastecendo e, às vezes, sente aquele cheiro forte de gasolina. Ou seja, resolve todos os problemas que envolvem a questão do abastecimento no posto”.

Para Henry Joseph Junior, diretor-técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), é preciso controlar a emissão dos gases não só durante o abastecimento do automóvel no posto, mas desde o abastecimento do caminhão nas refinarias. Segundo ele, a introdução da tecnologia embarcada nos veículos não é tão simples e pode pesar no bolso do consumidor.

"Haverá realmente uma passagem de custos significativa para o proprietário do veículo, mas principalmente terá que ser feita uma mudança muito grande nos projetos do próprio veículo, o que impede a adoção desse sistema de uma hora para outra."

Danos colaterais

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul mostra que o benzeno liberado pela gasolina provoca danos ao sistema nervoso central, doenças nos rins e no fígado, além de vários tipos de câncer relacionados ao sistema sanguíneo.

Fonte: Agência Câmara

Tags: combustível, controle, meio ambiente, saúde, segurança

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