Jornal do Brasil

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Influência do Jazz

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Thiago Goes


Steve Gadd assume o protagonismo

Jornal do Brasil Thiago Goes

Pouco antes de subir ao palco em sua última passagem pelo Rio, onde esteve em outubro do ano passado, em parceria com o amigo Chick Corea no projeto “Chinese buterfly”, Steve Gadd já demonstrava que, depois de anos tocando com grandes artistas, começava a se firmar como um “band leader”. Nada mais natural, não fosse ele um músico de 73 anos, com uma carreira consolidada. Um dos mais aclamados bateristas da história - presente em turnês de astros como Eric Clapton, Paul McCartney, James Taylor, entre outros -, o americano parece finalmente confortável exercendo a liderança de seu grupo no novo álbum “Steve Gadd Band”, lançado em março.

Completam o grupo Walt Fowler no trompete e flugelhorn, Michael Landau na guitarra, Jimmy Johnson no baixo e Kevin Hays nos teclados e vocais. Com exceção do último, todos os demais integrantes são veteranos das bandas de turnê de James Taylor. Liderados por Gadd, foram indicados ao Grammy de melhor álbum instrumental contemporâneo em 2016 (“Way back home - Live from Rochester, NY”).

Agora, tanto pessoalmente quanto no álbum, quem espera encontrar um Gadd acelerado vai se decepcionar. Bem diferente de quando sobe ao palco e faz suas performances históricas, Gadd se mostra um cara calmo, quase introspectivo. No novo disco, a banda opera de maneira bastante prudente, com tempos lentos e solos reservados. Ao contrário da maioria dos trabalhos de jazz, as músicas são sucintas, com foco na interação do grupo, que participou integralmente na composição das faixas, criando uma sonoridade interessante e diversificada.

Destaque para as faixas “Auckland by numbers”, uma balada noturna liderada por Landau e que flerta com o blues; “Norma’s girl”, que valoriza o extenso (e excelente) solo de Fowler com seu flugelhorn; “Where’s Earth?”, que conta com a participação de Duke Gadd (filho de Steve) na guitarra; e “Spring song”, que apresenta o único vocal do álbum, feito por Hays, de maneira equilibrada e quase comovente, deixando uma leve sensação de “quero mais”. 

Vale uma menção honrosa para a faixa “Temporary fault”, o único cover do álbum, em homenagem ao exímio guitarrista Allan Holdsworth, que morreu ano passado.

Neste, que é o quarto álbum da banda em seis anos, Gadd e sua trupe seguem mostrando o melhor do jazz contemporâneo, com seus grooves, sensações e texturas, dentro de um som limpo e mais claro. O resultado é uma musicalidade atual, melódica e acessível para todos. 

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Bebop

Olho nele 

Considerado pela mídia internacional como o “John Coltrane da atualidade”, Kamasi Washington tem deixado os fãs repletos de expectativas com a chegada de seu novo álbum, “Heaven and Earth”, com lançamento previsto para próximo dia 22. As três primeiras faixas já estão disponíveis via streaming.

Festival de Jazz & Blues 

O balneário de Rio das Ostras recebe de sexta a domingo a 13a edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. O evento é gratuito e acontecerá em três palcos localizados na cidade, das 11h às 20h. O festival, remarcado devido à greve dos caminhoneiros, contará com atrações como Stanley Jordan, Amaro Freitas, Azymuth entre outros.

Jazz & JB 

O jazz que, durante anos, compôs as páginas do Caderno B, renasce no JB em uma linguagem otimista e contemporânea. Buscaremos levar a vocês leitores, além de críticas, informações sobre tudo o que diz respeito ao gênero musical no Brasil e no mundo, além de bastidores e entrevistas com personalidades. Para este colunista de primeira viagem, que começou a ler folheando o JB ao lado do pai (e hoje se orgulha de fazer o mesmo com a filha Giovana), o groove não poderia ser melhor.. 



Tags: blues, caderno b, cultura, jazz, música

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