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Tensão migratória no Brasil por situação na Venezuela

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O presidente Michel Temer convocou uma reunião de emergência neste domingo (19) para avaliar a situação na fronteira com a Venezuela, depois que acampamentos improvisados de venezuelanos foram atacados por moradores da cidade de Pacaraima, em pleno aumento das tensões regionais pela imigração.

Temer está reunido no Palácio do Alvorada com seis de seus ministros, entre eles os de Defesa, de Segurança Pública e de Relações Exteriores, sem que até agora tenham sido dados detalhes.

A situação em Pacaraima, próxima à venezuelana Santa Elena de Uairén, estava tranquila na manhã deste domingo, em parte porque habitantes da cidade conseguiram expulsar com ameaças os venezuelanos que viviam nos acampamentos nas ruas.

"Cerca de 1.200 migrantes venezuelanos voltaram à Venezuela" entre sábado e domingo, confirmou à AFP o porta-voz da força-tarefa brasileira, que opera na fronteira com a Venezuela com a participação das Forças Armadas, de organizações civis e de ONGs para atender ao crescente fluxo migratório.

"A cidade parece deserta hoje. Está muito tranquila, porque chegou reforço policial, e os mercados estão reabrindo", disse um morador desta cidade de 12.000 habitantes, que pediu anonimato.

O Ministério de Segurança Pública anunciou na véspera que, na segunda-feira, reforçará com 60 homens as tropas já presentes em Pacaraima, depois de, no sábado de manhã, ter ocorrido o caos com o ataque.

Aparentemente, o episódio foi uma resposta ao assalto por parte de venezuelanos de um conhecido comerciante da cidade, que ficou ferido. Isso teria levado dezenas de moradores a atacar os principais acampamentos de imigrantes e queimar seus pertences.

"Foi terrível, queimaram as barracas e tudo o que havia dentro", contou à AFP Carol Marcano, venezuelana que trabalha em Boa Vista e que estava na fronteira voltando de seu país.

"Houve tiros, queimaram pneus", disse.

A governadora do estado de Roraima, Suely Campos, reiterou que deveriam fechar temporariamente a fronteira, porque as autoridades estão sobrecarregadas, especialmente na capital Boa Vista, e pediu a Brasília reforços para "enfrentar o aumento da criminalidade".

Entretanto, o Ministério venezuelano das Relações Exteriores solicitou no sábado às autoridades brasileiras as "garantias correspondentes aos nacionais venezuelanos e que tome as medidas de proteção e segurança de suas famílias e bens".

- Equador e Peru tomam medidas -

O Equador começou no sábado a bloquear a passagem de venezuelanos em suas fronteiras terrestres, exigindo passaportes, ao invés de apenas a carteira de identidade, como era até agora.

O Peru modificou neste domingo a data de permissão temporária de permanência aos cidadãos venezuelanos que tenham entrado em território peruano pela crise econômica e social em seu país, segundo uma norma publicada no diário oficial.

"Somente os venezuelanos que ingressem no Peru até 31 de outubro poderão apresentar o pedido de Permissão Temporária de Permanência (PTP)", indica um decreto assinado pelo presidente Martín Vizcarra e pelo ministro do Interior, Mauro Medina.

O prazo de apresentação do pedido foi reduzido e agora vencerá em 31 de dezembro, em vez de 30 junho do ano que vem, conforme estabelecido em norma anterior.

A Colômbia teme que milhares de venezuelanos fiquem retidos em seu território pelos controles fronteiriços do Equador. Estima-se que 3.000 pessoas cruzem todos os dias da Colômbia ao Equador pela cidade de Rumichaca.

A ONU cifra em 2,3 milhões o número de venezuelanos que fugiu da crise e em busca de trabalho.

A cada dia, centenas de cidadãos da Venezuela se lançam em uma viagem terrestre para chegar a Peru, Chile, Argentina e Uruguai.

No Brasil, a Polícia Federal estima que cerca de 500 venezuelanos entrem diariamente pela fronteira. O auge deste ano, em janeiro, oscilou entre 900 e 1.200.

No primeiro semestre de 2018, 56.740 venezuelanos buscaram legalizar sua situação no Brasil, solicitando refúgio, ou visto de residência temporária.



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