Jornal do Brasil

Acervo

Discussões sobre segurança pública dominam debate marcado por ataques ao ex-prefeito Eduardo Paes

Jornal do Brasil

O primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio, ontem à noite, na Rede Bandeirantes, foi marcado por discussões acerca de segurança pública e de ataques ao ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), perpetrados pelo ex-governador Anthony Garotinho (PRP), o deputado federal Índio da Costa (PSD) e o vereador Tarcísio Motta (PSOL). Com a presença de oito dos doze concorrentes — Marcelo Trindade (Partido Novo), Dayse Oliveira (PSTU), André Monteiro (PRTB) e Luiz Eugênio Honorato (PCO) ficaram de fora porque suas coligações não cumprem a exigência prevista pela legislação eleitoral de contar, pelo menos, com cinco representantes no Congresso — o tema mais debatido no encontro foi o da segurança pública.

Antes mesmo do início do debate, o assunto já se impunha sobre a pauta dos postulantes ao cargo de governador do Rio. A filósofa Márcia Tiburi (PT) foi a primeira a chegar aos estúdios da Band, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Pela portaria também passaram Tarcísio Motta, o juiz federal Wilson José Witzel (PSC), o deputado estadual Pedro Fernandes (PDT) e Índio da Costa. Anthony Garotinho, o senador Romário (PODEMOS) e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) entraram pela garagem. Os que passaram pela portaria deram breves entrevistas, e todos destacaram a segurança como o principal tema não só do encontro, mas da campanha. 

Intervenção federal

No primeiro bloco, os candidatos foram convidados pelo mediador Fulano de Tal a tecer comentários sobre a intervenção federal. Anthony Garotinho disse que “a intervenção não disse a que veio. Ela tem de ser planejada”. O ex-governador acrescentou que pretende, se eleito, modernizar a polícia e transformar presídios em unidades de trabalho. O senador Romário reiterou que, num primeiro momento, foi favorável à intervenção. “Sei que nada aconteceu por acaso... Essa intervenção teve seus problemas. Hoje eu sou totalmente contrário a essa Intervenção”, frisou. Pedro Fernandes disse que montará com uma grande força-tarefa com o governo federal e que contratará mais de 1.500 policiais militares, já aprovados em concurso. “Temos dinheiro para isso e vamos ter oportunidade de mostrar”, destacou o candidato do PDT. 

Índio da Costa chamou a intervenção de “engodo”, mas disse que, a pedido do estado, votou a favor da medida no plenário da Câmara. Comentou que irá investir na inteligência da polícia e, também, que “quem estiver portando um fuzil, tendo a idade que tiver, escolheu a guerra e tem que sofrer as consequências”. “Esse governador aqui vai ficar, entre polícia e bandido, do lado da polícia”, completou. Wilson José Witzel disse que “a intervenção federal veio pra suprir uma deficiência de comando do Estado do Rio”. Assim como Fernandes, afirmou que fará um “modelo de força-tarefa”. Tal qual Índio da Costa, garantiu que pedirá aos policiais para que atuem de maneira firme contra quem estiver portando um fuzil. E foi além: “Autorizarei nossa polícia a abater [quem estiver portando um fuzil].”

O ex-prefeito Eduardo Paes considerou a discussão sobre a intervenção “meio desnecessária”. “A intervenção não é uma panaceia, não vai resolver todos os problemas. Vamos assumir o comando da seguranca pública, mas vamos solicitar que as forcas armadas continuem colaborando sob comando do governador”, destacou o candidato do DEM. A filósofa Márcia Tiburi, do PT, se mostrou contrária à intervenção. “[Ela] reflete a violência do golpismo no Brasil, que usa o Rio de Janeiro como vitrine”. Tarcísio Motta, do PSOL, demonstrou pensar de maneira similar. “A intervenção foi uma jogada eleitoreira do Temer, sem planejamento algum”, afirmou. O psolista enfatizou que irá “substituir o confronto pela inteligência’’.

O primeiro bloco trouxe também uma discussão sobre a situação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Garotinho lembrou que foi durante seu governo que as cotas foram instituídas. “Fui eu que implementei as cotas. A Uerj foi a primeira universidade brasileira a instituir as cotas, e tem candidato aqui de partido que entrou com ação de inconstitucionalidade contra a medida”, alfinetou o ex-governador. 

Em seguida, foram abertas as perguntas entre os candidatos. Cada um tinha direito a fazer uma pergunta a um concorrente, desde que este ainda não tivesse respondido a nenhum outro. Novamente, o tema da violência foi o que prevaleceu. Ao ser questionado por Eduardo Paes, Pedro Fernandes afirmou que “não é só com porrada, tiro e bomba que se soluciona esse problema: é preciso investir em educação e na criação de escolas de ensino integral”. Ao sabatinar Índio da Costa, o candidato do PDT voltou ao tema, afirmando, numa réplica, que reduziria as 18 secretarias para seis pastas e cortaria 55% dos cargos comissionados para construir 500 novas escolas. Índio da Costa contestou os números de Fernandes e disse que o concorrente não sabia fazer conta e que o geoverno precisa de um bom gestor. 

‘Dobradinha Garotinho-Índio’

Certa animosidade começou a tomar conta do debate quando Índio da Costa levantou uma bola para Garotinho. O deputado federal questionou a atuação de Clarissa, filha do ex-governador, na secretaria de Desenvolvimento, Emprego e Inovação no governo Crivella. Garotinho concordou com Índio, ao afirmar que sua descendente teve dificuldades na pasta por “falta de recursos”. “Ela queria implementar programas importantes, como o Restaurante Popular, mas não teve como”, respondeu, aproveitando para alfinetar Eduardo Paes, dizendo que o ex-prefeito gastou todos os recursos, causando rombos, construindo “ciclovia de papel” e pavimentou vias com “asfalto Sonrisal”. O ex-governador ainda aproveitou para mencionar que, em seu blog, já havia divulgado inúmeras polêmicas envolvendo o MDB e Paes, inclusive contas bancárias no Panamá. As contas pertenceriam ao pai, Valmar Souza Paes, e a irmã do ex-prefeito, Letícia Costa Paes, e teriam capital social de 4 milhões de dólares cada uma.

A Band concedeu direito de resposta a Eduardo Paes, que defendeu sua família. O ex-prefeito também criticou a “dobradinha Garotinho-Índio”. Para o candidato do DEM, os dois se juntaram para atacá-lo. Além disso, o ex-prefeito aproveitou para atacar o clã Garotinho, dizendo que o ex-governador é “tão irresponsável que levou a própria mulher para a cadeia”. A fala mereceu novo direito de resposta, em que o ex-governador frisou que o ex-prefeito não contestara a existência das contas no paraíso fiscal e que Rosinha foi presa por distribuir cheques-cidadão e não por corrupção. Ao fazer a defesa de sua mulher, Rosinha, Garotinho aproveitou para, novamente, atacar o ex-prefeito. Ao afirmar que Paes convive com “pessoas que agridem mulheres”, Garotinho fez referência ao deputado federal Pedro Paulo (DEM), aliado do ex-prefeito. Muitos dos presentes vibraram após a declaração do ex-governador. Após o direito de resposta de Garotinho, Paes pediu novamente o microfone. Desta vez, a Bandeirantes lhe negou. 

No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas feitas por internautas. Quando questionado sobre a situação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Romário preferiu voltar sua resposta para a área da saúde no geral. “[A Saúde] é a pasta do governo mais assaltada pelos bandidos do nosso Estado”, ressaltou. “Vou montar uma auditoria para analisar a situação”, disse o senador. Ao responder sobre o metrô, Eduardo Paes afirmou que focará na ‘sofisticação das linhas de trem, transformando-a em metrôs na superfície’. O candidato do DEM também prometeu a finalização da construção da estação da Gávea. Até o fechamento desta edição, ainda estava previsto um último bloco, com as considerações finais dos candidatos.



Tags:

Recomendadas para você