Jornal do Brasil

Acervo

Derrota para zebra na final da Eurocopa deixa França com alerta ligado contra Croácia

Jornal do Brasil GUILHERME BIANCHINI, GUILHEME.BIANCHINI@JB.COM.BR

ISTRA - O Brasil conhece bem o trauma da derrota em casa na decisão de um grande torneio. E a França, apesar das ótimas recordações do Mundial de 1998, compartilha desse mesmo sofrimento por causa de uma ferida aberta há dois anos. A campanha como anfitriã na Eurocopa corria perfeitamente bem até a final contra Portugal, surpresa da competição. A sensação francesa de que o título dependia de mera formalidade ficou ainda maior quando Cristiano Ronaldo saiu machucado, ainda no primeiro tempo daquela partida em 10 de julho de 2016, no Stade de France. 

Um improvável gol de Éder no segundo tempo da prorrogação, no entanto, pôs tudo a perder e frustrou o sonho do tricampeonato europeu da França. Mas a lição de não subestimar um adversário inferior na final parece ter sido bem assimilada pela seleção de Didier Deschamps. 

“Os jogadores que participaram naquela partida sabem o que fizeram de errado e o que não podemos voltar a repetir. Mas, honestamente, neste grupo há muita seriedade, vocês viram nas últimas partidas. Acredito que estamos em um bom caminho, demonstramos que podemos ser muito sólidos e temos que continuar assim”, declarou Umtiti, um dos seis remanescentes entre os jogadores que entraram em campo na fatídica decisão.

Revolução francesa 

Quem também estava presente era Pogba. O meia deixou bem claro que a França havia mesmo entrado de salto alto contra os portugueses. “Depois de passarmos pela Alemanha na semi, pensávamos que já estava ganho, ainda mais depois de vermos o caminho de Portugal. A mentalidade era diferente da atual. Agora estamos mais focados, queremos dar tudo e ganhar”, garantiu o camisa 6. 

O impacto do vice-campeonato para Portugal causou uma guinada nos rumos da seleção francesa. Mesmo com a manutenção de Didier Deschamps no comando, apenas nove jogadores do elenco da Eurocopa sobreviveram até chegar à Rússia: Lloris, Mandanda, Umtiti, Rami, Kanté, Pogba, Matuidi, Griezmann e Giroud. 

As 14 mudanças beneficiaram principalmente os talentos da nova geração, liderados por Mbappé, que ainda davam seus primeiros passos no futebol profissional. Jovens como Pavard, Kimpembe, Lucas Hernández, Dembélé e Fékir ganharam espaço na reta final do ciclo. 

Para se ter uma noção do tamanho da revolução francesa deflagrada pela traumática derrota, basta comparar com os outros 11 europeus da Copa do Mundo que também estavam na Eurocopa de 2016. A França é a segunda seleção que mais se modificou no período. Perde apenas para a Rússia, que trocou até de técnico e manteve sete jogadores. Dos seis treinadores que permaneceram, Deschamps foi o único a levar menos da metade dos convocados de 2016 ao Mundial de 2018. 

A decisão da vez, com a Croácia, marca um duelo de opostos em todos os sentidos. Os finalistas inéditos trocaram de comandante na última rodada das eliminatórias, mas a base do time que caiu nas oitavas da Eurocopa foi preservada, com 16 remanescentes – a segunda seleção que menos se modificou. Prova de que não há receita pronta para alcançar uma final de Copa.



Tags:

Recomendadas para você