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Itália autoriza desembarque dos 67 migrantes a bordo de embarcação

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Os 67 migrantes a bordo do navio 'Diciotti', da guarda-costeira italiana, atracado na Sicília, desembarcaram na noite de quinta-feira (12), de acordo com a imprensa italiana.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, havia anunciado à tarde em um comunicado que o desembarque era "iminente", precisando que os procedimentos de identificação haviam "terminado, especialmente para aqueles que possam ter cometido um delito".

Vários veículos de mídia mostraram pouco antes da meia-noite imagens do desembarque dos migrantes, que depois entraram em um ônibus que os esperava na doca, escoltado por veículos policiais.

Na segunda-feira, o 'Diciotti' havia acolhido a bordo 67 pessoas, entre elas três mulheres e seis crianças, e nesta quinta-feira a embarcação atracou em Trapani. No entanto, o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, havia proibido seu desembarque enquanto não fossem esclarecidas as circunstâncias de seu resgate.

Alguns dos migrantes teriam feito um motim por medo de serem devolvidos à Líbia pela tripulação do rebocador italiano "Tu Thalassa", que costuma prestar serviços às plataformas de petróleo e que os resgatou em frente à costa da Líbia e os transportou ao navio da Guarda Costeira.

"Não dou autorização de desembarque ao 'Diciotti'. Se outra autoridade o fizer, assumirá a responsabilidade", declarou Salvini, também líder da Liga, de extrema-direita.

Segundo a imprensa, o que desbloqueou a situação foi um telefonema do presidente da República, Sergio Mattarella, ao chefe do governo italiano, Giuseppe Conte.

Organizações humanitárias presentes em Trapani, como a Médicos Sem Fronteiras, Save the Children e Unicef, haviam pedido em comunicado na quinta-feira para "facilitar de forma urgente" o desembarque de "refugiados e migrantes, entre eles mulheres, crianças e adolescentes".

Segundo a imprensa italiana, a polícia providenciou documentos que demonstram que duas das pessoas a bordo do 'Diciotti' são traficantes de pessoas e informou que o Ministério Público de Trapani pretende ouvir testemunhos de todos os passageiros.

Matteo Salvini, no cargo desde 1 de junho proibiu há um mês o acesso aos portos italianos dos navios humanitárias que resgatam migrantes no Mediterrâneo, uma posição que reflete a nova linha dura da Itália em matéria migratória.

A regulamentação dos fluxos migratórios é um tema importante na Europa e no novo governo italiano - uma coalizão formada pela Liga e o partido antissistema Movimento 5 Estrelas - é partidário de uma maior rigidez.

No entanto, a situação do navio "'Diciotti" evidenciou as divergências dentro da coalizão, já que setores do M5E se opõem ao fechamento dos portos italianos e em particular ao impedimento à entrada de navios de bandeira italiana.

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