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Retrato íntimo de uma dor: confira crítica do B para o filme 'Hannah'

Jornal do Brasil ANA RODRIGUES*, ESPECIAL PARA O JB

“Hannah”, segundo longa-metragem do diretor italiano Andrea Pallaoro, é uma observação muito íntima de uma mulher idosa ede seu isolamento diante das perdas. O marido foi preso e há consequências envolvendo o crime que aos poucos são reveladas. Hannah tenta se conectar ao mundo, mas sofre pressões sociais, a rejeição do filho e tem que se ajustar a uma nova realidade econômica.

O filme é um estudo de culpa, vergonha, solidão e insegurança num ponto da vida em que a convenção social diz que deveria ser de serenidade e descanso. Não é preciso dizer muito em diálogos. A direção e o roteiro de Pallaoro apresentam a vida de Hannah através da comida pouco atraente que ela prepara para o último jantar com o marido que vai para a prisão, da dificuldade de alimentar o cão, da decoração fria da casa e das roupas monocromáticas. Um buquê de flores é uma tentativa de iluminar da existência.

Mas a energia que coloca as peças do filme em funcionamento é a atriz inglesa Charlotte Rampling. Entre a negação e a realidade dos fatos que envolvem a vida da personagem, está uma mulher de muitas perdas que tenta seguir em frente. Impressiona a contenção que Charlotte leva para a personagem que tenta se ajustar ao mundo, mas por dentro está despedaçada. Como recurso para se reconectar ao mundo, Hannah frequenta uma escola de teatro. Num simples ensaio em que tem que fingir procurar algo numa bolsa, percebemos as múltiplas nuances da atuação de Charlotte e a busca de Hannah por algo que não consegue alcançar. Trabalho consagrado com a Copa Volpi de melhor atriz no festival de Veneza, em 2017. 

* Jornalista e membro da Associação de Críticos do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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HANNAH : *** (Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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