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Kikito para todos os gostos

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Vai ter desenho animado, drama de boxe, Marieta Severo em estado de graça e assombrações na competição pelo Kikito de melhor longa-metragem brasileiro no Festival de Gramado de 2018: a 46ª edição ocorre de 17 a 25 de agosto na Serra Gaúcha, a começar pela projeção hors-concours de “O Grande Circo Místico”, de Carlos Diegues, na abertura dos trabalhos. 

Com homenagens reservadas ao ator Ney Latorraca (vai receber o Troféu Cidade de Gramado) e para o animador Carlos Saldanha (vai ganhar o Troféu Eduardo Abelin, dado a diretores de prestígio autoral), o evento trouxe para a disputa de prêmios nove produções nacionais, das quais cinco terão lá sua primeira projeção mundial. Uma delas é a esperada biografia do boxeador Éder Jofre: “10 segundos para vencer”, de José Alvarenga Jr. Daniel de Oliveira vive o lutador e Osmar Prado encarna seu pai (e treinador). 

Igualmente esperado é “A Cidade dos Piratas”, a nova (e confessional) animação de Otto Guerra, inspirada nas tiras de HQ “Piratas do Tietê”, da cartunista trans Laerte.  Espera-se muito, sobretudo alto astral, de “Simonal” (RJ), de Leonardo Domingues, com Fabrício Boliveira no papel do cantor. Já a cota anual de polêmica da seleção deve vir de “O banquete”, de Daniela Thomas, realizadora do controverso “Vazante” (2017).

Os quatro outros concorrentes já fizeram barulho no exterior: “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, e “Ferrugem”, de Aly Muritiba, foram lançados no Festival de Sundance, em Park City, Utah, nos EUA, em janeiro. Já “Mormaço”, de Marina Meliande, levou especiarias sobrenaturais a solo holandês, no Festival de Roterdã, no início do ano. 

Centrado no lugar de fala da população negra do Brasil, temperado por humor e malandragem, “Correndo atrás”, de Jeferson De (do premiado “Bróder”) foi aclamado no African Film Festival New York, sobretudo pela atuação de Aílton Graça. Por fim, o drama “A voz do silêncio”, de André Ristum, é uma coprodução com a Argentina que passou pelo Festival de Málaga, na Espanha, e estreou em Buenos Aires, cheia de resenhas elogiosas à interpretação de Marieta Severo. 

“Valorizando a diversidade de nosso cinema, buscamos contemplar premières mundiais e filmes chancelados por grandes festivais internacionais, mostrando o quanto nosso cinema tem representado bem o Brasil lá fora”, explicou ao JB o crítico Marcos Santuário, um dos curadores de Gramado, ao lado de Rubens Ewald Filho e Eva Piwowarski.

No início dos anos 1990, Gramado criou uma competição de filmes latinos e portugueses. Na seara estrangeira do festival deste ano, há cinco títulos, porém só um deles chega lá de fora com destaque (e põe destaque nisso): “Las herederas”, do estreante Marcelo Martinessi, coproduzido pela carioca Julia Murat. No último Festival de Berlim, em fevereiro, Martinessi saiu de lá com o Troféu Alfred Bauer e o Prêmio da Crítica, e sua protagonista, Ana Brun, saiu com o Urso de Prata de Melhor Atriz.

Nas próximas duas semanas, Gramado anuncia quem serão os homenageados a receber o Kikito de Cristal (honraria que celebra o congraçamento entre os países da América Latina) e o Troféu Oscarito (dado a estrelas ou a produtores). (R.F.)

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A LISTA DE CONCORRENTES 

Longas brasileiros: 

“10 segundos para vencer” (RJ), de José Alvarenga Jr. 

“O banquete” (SP), de Daniela Thomas  

“Benzinho” (RJ), de Gustavo Pizzi  

“A Cidade dos Piratas” (RS), de Otto Guerra 

“Correndo atrás” (RJ), de Jeferson De 

“Ferrugem” (PR), de Aly Muritiba  

“Mormaço” (RJ), de Marina Meliande  

“Simonal” (RJ), de Leonardo Domingues  

“A voz do silêncio” (SP), de André Ristum

Longas estrangeiros:

“Averno” (Bolívia/Uruguai), de Marcos Loayza 

“Las herederas” (Paraguai/ Brasil/Uruguai/França/Alemanha), de Marcelo Martinessi  

“Mi mundial” (Uruguai/Argentina/Brasil), de Carlos Morelli  

“Recreo” (Argentina), de Hernán Guerschuny e Jazmín Stuart  

“Violeta al ?n” (Costa Rica/ México), de Hilda Hidalgo



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