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O jogo em curso

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Perdida a Copa do Mundo, o campeonato eleitoral entra em ritmo mais acelerado, até por força dos prazos. Já estão vigorando as restrições a governantes e candidatos para  coibir o uso da máquina. Não mais inaugurações ou liberações de recursos eleitoreiras. Começa no dia 20, terminando em 5 de agosto, a temporada das convenções que aprovarão candidaturas e coligações.  E com isso, estes partidos que estão no muro, esperando o quadro clarear, terão de decidir sobre quem apoiar na disputa presidencial. 

O PT e o PSDB entram desfavorecidos neste jogo. O PT, porque ninguém sabe ao certo que nome terá seu candidato, apesar do favoritismo de Lula. O PSDB, porque Geraldo Alckmin não o tem convencido de sua viabilidade. Diz que vai crescer quando o horário eleitoral começar (31 de agosto) mas a escolha terá que ser feita agora. E assim, por ora, as águas correm mais para Ciro Gomes. 

Alianças não determinam os resultados eleitorais mas são importantes. Podem aumentar o tempo de televisão, propiciar palanques nos estados e passar a impressão de que a coligação mais ampla tem mais chances de vitória. Ainda que seja só impressão. 

As últimas pesquisas até colocaram Marina Silva ligeiramente à frente de Ciro mas ela e a Rede não estão disputando. Com o discurso de que as alianças devem ser programáticas e não pragmáticas, Marina se isolou ou se perdeu neste jogo. E ela precisava melhorar seu tempo de televisão, inferior a um minuto diário. 

Uma definição crucial é a do PSB, que não irá com Alckmin depois que ele deu as costas ao governador Márcio França, seu sucessor que disputa a reeleição e defendia a aliança com o PSDB. Abandonado também pelo PP, que se bandeou para o candidato João Dória, França agradeceria agora o apoio do PDT de Ciro.  A pressão do PT é grande, cobrando apoio à chapa presidencial em troca do apoio a candidatos do PSB a governador.  O mais necessitado deste apoio é Paulo Câmara, de Pernambuco, que tem a reeleição ameaçada pela candidata petista Marília Arraes. De Curitiba, Lula anunciou, por visitantes, que ela é sua candidata, tentando aumentar a pressão sobre o PSB. Ciro, por seu lado, promete ao partido a vaga de vice e apoio nos estados onde tem candidatos a governador. 

Mais dramática será a decisão dos partidos do Centrão, que embora mais identificados com Alckmin, estão inclinados a apoiar Ciro. E com a hora da decisão chegando, estão perdendo a unidade. O PP já está com um pé na chapa de Ciro, mas no DEM ainda há setores que preferem Alckmin, disposto a lhes dar a vaga de vice (de preferência para o ex-ministro Mendonça Filho, por ser nordestino). Rodrigo Maia teria promessa de apoio para disputar novo mandato de presidente da Câmara, mas a boa vontade tucana até agora não surtiu efeito. 

O PR, então, faz jogo triplo. Pode fechar com Bolsonaro, para lhe garantir o senador Magno Malta como vice. Os dois realmente se merecem.  Quem decide é o cacique do partido, Valdemar Costa Neto, que flerta com Alckmin mas não descarta retomar a velha aliança com o PT. 

Esta será a conversa dominante dos próximos dias. Fechadas as alianças, o jogo estará feito do ponto de vista dos partidos. Estará faltando o essencial, o jogo com a grande massa de eleitores ainda indefinidos, além dos que hoje se inclinam pelo voto branco ou nulo. Passada a Copa e com a campanha esquentando, talvez comecem a pensar mais na eleição.

EXPURGO 

A TELAM, agência pública de notícias argentina, sempre foi a mais sólida do gênero na América Latina. Invocando ora o ajuste fiscal, ora a existência de “gordura ideológica”, o governo do presidente Macri acaba de demitir 357 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos e editores gráficos. Macri está calando vozes críticas mas não se viu protesto da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) contra este enviesado cerceamento da liberdade de imprensa.



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