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Os 20 anos da revolução VOD

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Nos últimos anos, com a revolução digital em curso, atingindo, sobretudo, o mundo da cultura (livros, música, cinema etc), reduzindo, drasticamente, o consumo da chamada mídia física, saber se adaptar aos novos tempos, é mais do que uma necessidade. É uma obrigação. É se adaptar ou sucumbir.

Tome como exemplo a Netflix, que, hoje em dia, se tornou sinônimo de plataforma streaming (quase todo mundo conhece ou ouviu falar) e já está presente em quase 200 países: no final dos anos 1990 (quando só existia nos Estados Unidos), inventou um sistema de entregar filmes em casa. 

Os DVDs (uma mídia que acabava de aparecer), chegavam, comodamente, pelo correio (só o disco, num envelope acolchoado), evitando que você tivesse de se deslocar até a locadora mais próxima (no caso, a então onipresente Blockbuster). A vantagem, é que se podia ficar com os filmes (havia um limite de títulos) o tempo que se quisesse. Nada de se pagar pesadas multas por atraso.

Foi uma jogada de mestre. Logo, começava a derrocada da Blockbuster, que não oferecia esse tipo de facilidade e cobrava caro por suas diárias. E multas, por atraso. A Blockbuster quis comprar Netflix (que não dava lucro, porque gastava muito com as entregas). Mas os dois sócios da empresa recusaram a proposta. Foi a decisão certa. Porque, na metade do novo século, começaram a aparecer os serviços de streaming, sendo o YouTube, o principal.

Então, inspirados pelo YouTube, e antes que o DVD saísse de circulação (o Blu-Ray daria apenas uma sobrevida ao formato), Netflix começou a desenvolver a sua própria plataforma de VOD (video on demand). Primeiro, começando a distribuir conteúdo de produtoras independentes, até chegar aos dias de hoje, quando produz a maioria dos seus próprios filmes e séries (fora ter um bom catálogo) e disputa valor de mercado com a Disney!

Vinte anos depois, o app da Netflix está em quase toda marca de SmarTV, nos PCs e celulares; e, atualmente, é a primeira opção no mercado norte-americano, na frente da TV paga, e até do YouTube, segundo pesquisa recente.

No Brasil, Netflix domina o mercado de streaming. Apenas a Amazon Prime (ainda recente aqui e com catálogo pequeno) pode, um dia, ameaçar. Os demais serviços de VOD locais, ainda são limitados. Nos EUA, contudo, a concorrência é mais acirrada. E crescente. Lá, além do Amazon Video, ela concorre também com o Hulu (cada vez mais forte no conteúdo próprio), Vudu e iTunes, basicamente.

Curiosamente, uma plataforma criada por uma grande empresa, o Crackle, da Sony (que, no início, oferecia todo o seu catalogo de forma gratuita e, depois, passou a cobrar), está mal das pernas, e anunciou, na semana passada, que vai fechar sua operação no Canadá, e repensar toda a sua estratégia mundial. Talvez a empresa volte seus esforços para a PlayStation TV, lançada recentemente.

Estamos no meio de um grande período de mudanças no modo como consumimos entretenimento. Em cinco anos, o cenário poderá ser totalmente diferente.

Rugidos

• O filme francês “Um filho que caiu do céu”, de Vincent Lobelle e Sébastien Thiéry, inédito nos cinemas brasileiros, estreou esta semana, nos serviços de streaming do país (Vivo Play, iTunes, Now, Google Play). 

• O canal Curta! vai exibir o documentário inédito ‘Ingmar Bergman: por trás da máscara’, no sábado, 14 de julho, dia em que o cineasta sueco estaria completando cem anos. 

• O humor na internet, agora conta também com o canal Ventilador (YouTube), que junta vários profissionais brasileiros do ramo, que produzem conteúdo exclusivo. Vale a conferida. 

• O comediante americano Will Ferrel, está desenvolvendo, para a Netflix, um filme inspirado no famoso festival de música pop europeu Eurovision, que lançou o ABBA. Ainda sem data prevista de lançamento.



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