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O diplomata e a promoção comercial

Jornal do Brasil VITÓRIA CLEAVER*

A recente missão do governo à Ásia teve como principal objetivo a abertura de mercados de interesse estratégico para as empresas brasileiras, além do fortalecimento de relações comerciais entre o Brasil e seus parceiros naquela região. O êxito de missões dessa magnitude, que envolvem variáveis qualitativas e quantitativas, depende sobretudo da atuação da diplomacia comercial no processo de planejamento e execução da visita, bem como na posterior supervisão de seus múltiplos desdobramentos. 

O Ministério das Relações Exteriores conta com diplomatas qualificados, cujo desempenho constitui peça fundamental para as exportações brasileiras. Reconhecidos nos foros internacionais por sua elevada capacidade de negociação, os diplomatas brasileiros devem passar, ao longo de toda a sua carreira, por treinamentos intensos e especializados.

Vale mencionar o caso específico da China, que se consolidou nos últimos anos como potência econômica mundial e maior parceiro comercial do Brasil. A “Parceria Estratégica Global” entre Brasil e China resulta de firme engajamento dos diplomatas brasileiros no marco de foros negociadores de alto nível. Na Comissão Sino-Brasileira de Concertação e Cooperação, nossos diplomatas se encontram frente a frente com seus pares chineses e têm a oportunidade de avaliar o desempenho do comércio bilateral, dos investimentos recíprocos e da cooperação financeira, além de identificar novas fontes de dinamismo para o intercâmbio econômico entre ambos os países, sempre cientes da necessidade de defender os interesses brasileiros em escala global. 

Ao identificar mercados promissores, ao aperfeiçoar as relações comerciais com outras nações, o diplomata brasileiro tem assegurado ganhos e vantagens concretos ao país. E não são poucos os desafios para manter o protagonismo do Brasil nos organismos econômicos internacionais, ou ampliar sua participação no fluxo de comércio mundial. No dia a dia de nossas tarefas, dentre as muitas funções exercidas, precisamos buscar interlocutores confiáveis, cultivar contatos em diferentes níveis nos governos e empresariados locais, além de transitar nos mais variados espaços negociadores. 

Efetuamos trabalho permanente de inteligência comercial, função que representa etapa essencial de qualquer ação voltada para a promoção das exportações e atração de investimentos estrangeiros diretos, os chamados IEDs. Trata-se de processo sistemático de coleta, análise e interpretação de informações de valor estratégico. Sem prejuízo das sofisticadas ferramentas de “business intelligence” hoje existentes, é por meio do olhar analítico do diplomata que se definem as prioridades e os direcionamentos a serem seguidos nas negociações internacionais. 

Seja na organização de missões, como a que recentemente aconteceu na Ásia, seja na discussão de importantes acordos, como o que vem sendo articulado entre Mercosul e União Europeia, a diplomacia brasileira tem sempre o propósito primordial de trabalhar pela projeção do Brasil no cenário internacional. Nossa continuada capacitação, dedicação e entusiasmo inabalável são colocados de forma incondicional a serviço do país, com a certeza de que ajudamos, assim, a construir um Brasil melhor, mais desenvolvido e mais justo.

* Presidente da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB/Sindical)



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