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Advogados de crianças imigrantes denunciam caos e recursos no limite

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"Um processo caótico", "uma loucura": sobrecarregados de trabalho pela separação dos mais de 2.300 imigrantes menores de seus pais na fronteira com o México, advogados migratórios trabalham como "detetives particulares" para reuni-los e denunciam a falta de planejamento do governo de Donald Trump a respeito.

Várias organizações que defendem gratuitamente na justiça menores de idade sem documentos que entram sozinhos nos Estados Unidos pela fronteira sul admitem estar sobrecarregadas com a política de separação familiar implementada pelo governo americano e cujo fim foi decretado nesta quinta-feira (21) por Trump.

"Estamos lutando muito para atender às necessidades dessas crianças e agora temos 2.300 crianças", além dos menores que chegam realmente sozinhos aos Estados Unidos "com necessidades tremendamente complexas", denunciou Wendy Young, presidente da KIND, uma organização que oferece ajuda legal gratuita a menores imigrantes.

Os milhares de menores de idade que chegam aos Estados Unidos sem documentos todos os anos não têm direito a um defensor público. Se não encontrarem ajuda legal gratuita ou não puderem pagar, precisam defender a si próprios nos tribunais.

A situação das crianças separadas de seus pais "está pondo pressão em um sistema que já estava pressionado e isto foi feito de forma intencional pelo governo", disse Young por teleconferência.

Ele assegurou que o governo não tem um plano para se assegurar de que as famílias separadas possam se comunicar ou se reunir em breve.

"Continua sendo um sistema caótico", afirmou.

"Sinto que meus serviços legais se tornaram detetives privados, tentando ligar os pontos com a pouca informação que temos, pode ser os nomes das crianças, a data de nascimento (...), mas às vezes os dados estão incorretos".

Michelle Brané, diretora de direitos dos imigrantes na Comissão de Mulheres Refugiadas, qualificou a falta de planos de reunificação como uma "loucura" e relatou as dificuldades para conectar pais e filhos quando estes são pequenos.

Às vezes não sabem seu nome completo e só são registrados com o apelido, contou, e relatou o caso de uma menina registrada como menor de dois anos, que usava fralda. Falava quiché, uma língua maia, e ninguém a entendia.

Depois de muito trabalho, Brané descobriu que tinha na verdade quatro anos, e não dois. Seu nome era outro e sua tia estava detida "no mesmo centro, trancada em outra jaula".

Alan Shapiro, médico da Academia Americana de Pediatria, disse ter visto em centros de detenção crianças com atraso de desenvolvimento, que falavam e não falam, que controlavam esfíncteres e não controlam mais, que estão ansiosas e retraídas.

Disse que o pior caso que viu foi o de um menino "mordendo o braço, como um comportamento de automutilação", e descreveu as condições "realmente duras" com crianças em jaulas, que passam frio e com comida de má qualidade e atendimento médico quase inexistente.

Trump advertiu que a "tolerância zero" contra a imigração ilegal continua.



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