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Trump exige que legisladores republicanos resolvam crise de separação de famílias

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta terça-feira aos legisladores do seu partido Republicano que encontrem uma solução para a crise envolvendo a separação de famílias de imigrantes na fronteira com o México.

Horas após ter defendido a legalidade de sua política que separa famílias de imigrantes ilegais, Trump conversou com um grupo de representantes republicanos no Capitólio.

Após o encontro, que durou cerca de 45 minutos, os republicanos revelaram que o presidente apoia os projetos de lei que os líderes da Câmara e do Senado esperam votar esta semana.

O representante republicano Mario Díaz Balart declarou que a prioridade é acabar com a separação dos pais de seus filhos após as detenções de imigrantes ilegais na fronteira.

Trump "não só apoia o texto acertado como também o defende", destacou Diaz Balart

Os projetos incluem ainda iniciativas como o muro na fronteira com o México, a proteção dos chamados "dreamers" (imigrantes que entraram no país ainda crianças) e modificações nos programas de imigração, como o fim da loteria de vistos.

O porta-voz da Casa Branca Raj Shah confirmou que Trump "apoiou os projetos das duas Câmaras" durante a reunião, acrescentando que os textos "resolvem a crise na fronteira e a questão da separação das famílias".

"Estou 100% com vocês", disse Trump aos legisladores republicanos, segundo o porta-voz.

Na saída da reunião, legisladores democratas atacaram Trump por sua política de separar as famílias de imigrantes, em um protesto realizado nos corredores do Capitólio.

"Presidente, por acaso o senhor não tem filhos?!" - gritou Juan Vargas, membro da Câmara de Representantes. "Gostaria de ser separado de seus filhos?!" - insistiu.

Trump se limitou a virar e a sorrir para as câmeras situadas atrás de meia dúzia de legisladores democratas que exibiam fotos de menores chorando e cartazes com a frase: "Famílias devem permanecer unidas".

A política de "tolerância zero", com ações de detenção sistemática de imigrantes ilegais na fronteira com o México e o consequente processo penal contra os maiores, já levou à separação de 2.342 menores de seus pais entre 5 de maio e 9 de junho.

Esses menores - com idades entre 1 e 18 anos - ficam retidos em centros de acolhida, onde dormem em colchões sobre concreto em unidades rodeadas de cercas metálicas que dão, ao conjunto, a impressão de uma enorme jaula.

Mais cedo nesta terça-feira, Trump insistiu em defender seu rigor com os imigrantes ilegais: "se não temos fronteiras, não temos país", escreveu no Twitter. "devemos sempre deter as pessoas que entram ilegalmente no nosso país".

"Eu não quero crianças sendo retiradas de seus pais. Mas quando tentamos procesar os pais por virem para cá ilegalmente, algo deve ser feito, é preciso separar as crianças", afirmou, horas depois, em um discurso ante pequenos empresários.

Imagens de crianças chorando e gravações de suas vozes angustiadas: as separações sistemáticas ocorridas desde o início de maio em razão da política de "tolerância zero" em relação à imigração ilegal, agitou os ânimos tanto de democratas como de republicanos.

Mas, apoiado-se em pesquisas que mostram um apoio majoritário a esta medida entre os eleitores republicanos, Trump decidiu jogar a responsabilidade para os legisladores, principalmente os democratas, exigindo que "mudem essas leis ridículas e obsoletas".

Neste contexto, o presidente republicano insiste que a culpa recai principalmente sobre a oposição.

"Os democratas são o problema. Eles não se importam com a criminalidade e querem que os imigrantes ilegais, por mais perigosos que sejam, infestem o nosso país, como o MS-13", tuitou pela manhã o presidente americano, referindo-se a uma gangue de origem americano-salvadorenha.

- "Modelo de civilização" -

Desde o anúncio da política de "tolerância zero" no início de maio, 2.342 crianças e jovens migrantes foram separados de suas famílias (de 5 de maio a 9 de junho), segundo dados oficiais.

A situação é resultado direto da decisão da Casa Branca de processar 100% das pessoas que cruzam suas fronteiras com o México sem documentos, sejam elas acompanhadas ou não de crianças.

Até agora, ainda que a lei fosse a mesma, as autoridades muitas vezes optavam por não deter as famílias para evitar essa situação, uma vez que as crianças não podem ser encarceradas e, portanto, devem ser realocadas.

Esta nova política é "digna de tortura", segundo a ONG Anistia Internacional, "inadmissível" para a ONU, e também denunciada por líderes religiosos americanos influentes entre o eleitorado republicano.

Donald Trump também tem usado a crise migratória na Europa para convencer os americanos dos benefícios de sua firmeza.

"É ainda pior em outros países", disse ele nesta terça-feira.

A Europa e os Estados Unidos não têm o mesmo "modelo de civilização", reagiu nesta terça o porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, denunciando as imagens "chocantes" de crianças separadas.



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