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Paralisação dos caminhoneiros anula efeitos de abril e projeta queda do PIB no 2º trimestre

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES (GILBERTO.CORTES@JB.COM.BR)

O aumento de 1% no volume de serviços prestados em abril, divulgado ontem pelo IBGE, seria índice a merecer grandes comemorações. Foi o primeiro aumento do ano, sem ajuste sazonal. Mas o mês de maio, que poderia confirmar a recuperação do setor que responde por mais de 70% do Produto Interno Bruto, foi atropelado pela greve dos caminhoneiros e as previsões otimistas ficaram pela estrada. Hoje, o Banco Central divulga o IBC-Br de maio, que poderá confirmar a tendência da economia.

Segundo o IBGE, sete dos oito segmentos apresentaram ganhos no mês, enquanto o item “outros artigos de uso pessoal e doméstico” ficou estável após subir 0,7% em março. Serviços prestados à família cresceram 1,1%. No acumulado do ano, a taxa ainda é negativa em 0,6% e em 12 meses a queda é de  1,2%. Ao analisar o resultado tanto o departamento econômico do Bradesco quanto o do Itaú frisaram ser o resultado efêmero, pois diante da extensão do efeito da greve para junho, não deve impedir um resultado negativo do PIB no segundo trimestre.

O Bradesco lembra que o resultado de abril teve alta de 1,3% nos segmentos de veículos e de materiais de construção (8,7% frente a abril de 2017). Veículos e motos tiveram a sexta alta seguida 1,9% no mês e 36,6% frente a abril de 2017). Na base móvel os volumes do comércio restrito (supermercados, lojas de varejo e combustíveis) e ampliado (que inclui automóveis e motos e materiais de construção) apresentaram alta de 1,2% em março para 1,5% em abril, e de 1,9% para 2,2%, respectivamente. Apesar disso, o Depec Bradesco frisa que “não altera a percepção de expansão moderada da atividade econômica, incluindo o consumo das famílias” e que os efeitos da greve dos caminhoneiros deverão se somar aos resultados mais fracos que já vinham sendo observados nos últimos meses nos dados de emprego e de confiança, revertendo os ganhos mais recentes quando os indicadores de consumo de maio e junho forem divulgados. Assim, deveremos observar um resultado negativo de 0,3% no PIB do segundo trimestre”. 

O Itaú Unibanco, para se antecipar ao IBC-BR, anunciou ontem que o PIB mensal Itaú Unibanco avançou 0,6% em abril ante março, após ajuste sazonal. Frente a abril de 2017, o indicador acelerou para 4,3% (ante 1,1% em março). O forte número na comparação anual é razão do maior número de dias úteis em abril de 2018. 

No trimestre findo em abril, o PM-Itaú apresentou alta dessazonalizada de 0,8% ante o trimestre findo em  janeiro. Para maio, com base em indicadores coincidentes já divulgados, o Itaú projeta queda de 2,1% do PMItaú, já incorporando o impacto da paralisação dos caminhoneiros. O banco observa que revisou a metodologia de cálculo do indicador mensal do PM-Itaú, para ficar mais próximo à metodologia do IBGE. No indicador do Itaú 11 dos 13 componentes tiveram alta. O componente que apresentou maior alta dessazonalizada foi a agropecuária (5,4%), seguido por outros serviços (2,3%). A maior queda foi de serviços de informação (-0,8%).



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