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STF marca para a próxima terça-feira julgamento da senadora Gleisi Hoffmann

Jornal do Brasil KATIA.GUIMARAES, KATIA.GUIMARAES@JB.COM.BR

O impacto de um resultado negativo do julgamento da ação penal contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), no dia 19, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pode representar mais um golpe para o PT. A possibilidade de sua condenação é motivo de muita preocupação entre petistas, principalmente, depois que Lula foi preso há mais de 60 dias. Presidente nacional do partido com maior apelo popular e que tem o ex-presidente Lula como líder nas pesquisas de intenção de votos para a sucessão de outubro, Gleisi vive seu momento político mais importante enquanto aguarda o desfecho do caso.

Ungida por Lula para comandar o PT e ser sua principal interlocutora, Gleisi tem uma agenda exaustiva, se divide entre o mandato, visitas a Lula, negociações em busca de alianças para as eleições e sua defesa. Ela e o marido, ex-ministro Paulo Bernardo, são acusados de receber R$ 1 milhão em propina de contratos da Petrobras. A defesa da senadora tem certeza de sua inocência e quem conhece o processo diz não ter pé nem cabeça. A denúncia tem sete versões desencontradas sobre os mesmos fatos e nenhuma prova material, como contas no exterior ou dinheiro, foi encontrada.

A Procuradoria-Geral da República diz que Bernardo pediu o dinheiro ao ex-diretor Paulo Roberto Costa e que teria sido entregue a um terceiro “estranho à campanha”, Ernesto Kugler Rodrigues, que nega o fato. Os principais delatores da Lava Jato dizem que Ernesto nunca teve relação com o esquema. Delações premiadas de quatro pessoas têm versões distintas sobre quem pediu o dinheiro, para quem, quem entregou, para quem e de que forma. A principal prova, que já foi descartada pelo STF,  é uma agenda de Paulo Roberto em que há uma inscrição “PB – 1” e que a acusação garante significar “Paulo Bernardo – R$ 1 milhão”.

A primeira versão de Paulo Roberto é que Youssef pediu o dinheiro em nome de Bernardo. O doleiro diz o contrário e afirmar não conhecer os acusados. A defesa de Gleisi diz que o conflito de versões nunca foi resolvido no processo, o que provaria que não houve contato com o ex-ministro e derrubaria a versão da acusação. Também não ficou provado que o suposto emissário, Ernesto Kugler teria contatado Youssef, pois, segundo relatórios policiais, não há indícios de viagens ou presença nos escritórios do doleiro. O depoimento de Antonio Carlos Pieruccini, sócio de Youssef desde o caso Banestado, também tem versões contraditórias sobre a suposta entrega do dinheiro. A defesa da senadora afirma que esse é único caso em que o sócio de Youssef aparece na Lava Jato.

Ontem, senadores se solidarizaram com Gleisi, entre eles Roberto Requião (MDB-PR), que, em defesa veemente, recorreu a uma frase do Apocalipse, último livro do Novo Testamento, para dizer que não podia se furtar em defendê-la. “Se és morno, não és quente nem frio, de minha boca te vomitarei”, afirmou. “Considero-me apto a testemunhar sua retidão, seriedade, linha de conduta e seu compromisso com o povo”, afirmou. 

Segundo Requião, Gleisi foi lançada em um “caldeirão” de “politização” das denúncias, “controversas” delações e a campanha pela “liquidação do PT”. “É preciso muita coragem, fibra, espírito público, renúncia e caráter para enfrentar tamanho bombardeio”, disse. Gleisi considera um alívio o julgamento ter sido marcado, principalmente por seus filhos afetados pelos quatro anos que o caso durou. “Jamais poderia recuar nas minhas posições, mesmo com as dificuldades que a vida tem me dado”, diz.



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