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À Rússia, sem carrinho

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Sochi - Promete-se uma Copa do Mundo em que o talento prevaleça sobre os botinudos, em que o drible e o passe superem o carrinho e o cotovelo.

Será minha 13ª como jornalista, a 9ª in loco, pois faltei por opção na da Ásia, em 2002. Tenho ainda vivas lembranças das três Copas anteriores à de 1970, a primeira como profissional. Estou em Sochi desde sexta, antes da seleção brasileira, que joga hoje (10), em Viena, contra a Áustria.

Viajei para Rússia num clima bem diferente do que era vivido antes das Copas na Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França, Alemanha e África do Sul. Ninguém, nem no aeroporto, manifestou o desejo de que trouxesse a taça para o Brasil, atitude presente nas sete viagens anteriores, apesar de a cada quatro anos ser menos intensa.

O brasileiro está dando pouca bola para o futebol? O Datafolha mostrou que sim e as ruas comprovam. Isso é bom ou isso é ruim? Não é bom nem ruim, simplesmente é.

Porque o Brasil amadureceu, já ganhou cinco vezes o torneio, deixou de ver o futebol como termômetro de sua autoestima e enfraqueceu seus vínculos com o time composto por jogadores que nem reconhecidos seriam se você os encontrasse na rua. Ou você sabe como é o Fred? E o Taison? Efeitos da globalização que aprofundaram nossa vocação de exportadores de pé de obra.

Nem por isso deixará de haver muita festa caso a seleção traga o hexa.

Tarefa espinhosa, porque a Espanha, França e Alemanha parecem mais preparadas no continente delas. Um pequeno esforço de memória lembrará que mesmo quando a Copa foi aqui, apenas quatro anos atrás, não houve clima a não ser a partir da véspera do início.

As coisas mudam e nós mudamos juntos. O jovem jornalista que embarcava com o coração batendo na garganta e ansioso por ver o Brasil campeão, hoje, escolado, quer apenas ver bom futebol e dividir tal privilégio com os leitores.

Daí a expectativa de viver das melhores Copas da história. Porque além das seleções citadas, há as da Bélgica e do Uruguai, que podem fazer bela figura. E Messi e o CR7.

Expectativa ruim apenas sobre que país encontrar na volta. Porque por mais que em 1982 ainda vivêssemos sob ditadura, havia horizonte.

Quatro anos depois era Sarney. Em 1990, começo de Collor. Em 1994, Itamar. Depois FHC, Lula, Dilma. Nada como Temer, simplesmente bizarro.



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