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Secretário da Casa Civil ameaça demissão se prefeitura não reavaliar Educação

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A queda de braço entre a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal da Casa Civil que levou o titular da primeira, Cesar Benjamin, a anunciar sua saída do governo e, menos de 24 horas depois, voltar atrás, na semana passada, promete ter um novo round hoje. O gongo deve soar ao meio-dia, prazo dado pelo titular da segunda, Paulo Messina, para que a prefeitura apresente uma nova versão da briga, caso contrário, anunciará sua demissão do cargo em transmissão ao vivo pelas redes sociais. A informação sobre o ultimato foi publicada, ontem, no jornal “O Globo”.

Messina encaminhou um ofício ao prefeito exigindo que Benjamin ou Crivella atestem que o motivo da desavença não teria sido o corte das verbas para a reforma das escolas municipais, como Benjamin divulgou em sua página no Facebook, mas a necessidade de a Educação firmar 19 contratos sem licitação para oferecer mão de obra terceirizada a creches, como alega o chefe da Casa Civil. Algumas contratações, segundo o jornal, estão sendo questionadas na Justiça pelo Ministério Público.

Na semana passada, Benjamin tratou o colega como “Napoleão de hospício”, em referência ao poder que o rival teria para liberar recursos às outras pastas. Messina não deixou por menos. Benjamin chegou a se desligar do cargo, mas, após apelos de diretoras de escolas da rede municipal, que se reuniram com Crivella e obtiveram do prefeito o compromisso de que o município liberaria R$ 200 milhões para as reformas nas escolas, em lugar dos R$ 80 milhões oferecidos pela Casa Civil, resolveu permanecer à frente da pasta. 

Messina disse, na rede social, que em princípio, resolveu não polemizar sobre “assuntos internos do governo publicados em redes sociais, seja por oligofrenia da parte ou falta de caráter”. Em seguida, na mesma nota, o secretário da Casa Civil anunciou a transmissão ao vivo que fará hoje. Na última segunda-feira, Messina não foi à prefeitura, dando sinais de seu mal-estar. Na versão ao vivo, promete apresentar documentos.

A versão de Benjamin foi postada no Facebook. No post, o secretário diz que o próprio Crivella anunciara que as escolas receberiam R$ 200 milhões para obras de infraestrutura ainda este ano. O secretá- rio chegou a informar de onde viriam tais verbas. “São recursos extraorçamentários, oriundos de um empréstimo feito junto à Caixa Econômica Federal. A Secretaria municipal de Educação (SME) trabalhou durante meses, de forma muito participativa, para alocar esses recursos de maneira ótima”, escreveu ele, ressaltando que houve um trabalho coletivo nesse sentido “Não decidi nada sozinho, trancado no gabinete. Dividimos esses recursos em cinco grandes áreas: reformas de prédios, climatização da rede, compra de mobiliá- rio, acesso a internet e construção de dez novas unidades em locais estratégicos”. A partir daí, Benjamin não poupou Messina: “Agindo sem nos consultar, a Casa Civil decidiu que reduziria os recursos disponíveis em 2018 a R$ 80 milhões, a serem usados exclusivamente em reformas. Ficariam de fora a climatização, o mobiliário, a internet e as novas unidades, remetidas a algum momento de 2019, com recursos de fontes a serem definidas no futuro. Foi esse o pomo da discórdia”. A discussão acalorada ainda não chegou ao fim.



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