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Ouvindo Ciro

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Neste momento preliminar da disputa presidencial, os candidatos melhor posicionados nas pesquisas ainda são prisioneiros de problemas diversos que inibem seus movimentos,  contribuindo para a nebulosidade ainda forte do quadro. O ex-presidente Lula é favorito mas vive a situação mais dramática, podendo ser preso em breve caso o STF siga na postura de Pilatos, não revendo a questão das prisões pós-segunda instância. Geraldo Alckmin, precisa decolar urgentemente mas vive administrando as querelas internas do PSDB.  Marina Silva, em terceiro lugar, mas carente de recursos e alianças, encaramujou-se. “Eu sou o único que está com a situação resolvida, e venho transformando em energia militante minha revolta com tudo o que estão fazendo contra o Brasil” – diz o candidato do PDT, Ciro Gomes. Contraponho que Jair Bolsonaro  também está livre e solto, aspergindo seu discurso de violência e ódio. Mantém o segundo lugar nas pesquisas apesar das apostas de que se desmanchará no curso da campanha.   Como ninguém lhe dá combate, não existe o risco real de que ele chegue ao segundo turno? Resposta de Ciro: 

- Bolsonaro precisa ser removido da disputa pra o bem da democracia brasileira mas a tarefa de lancetar o tumor  é do Alckmin. No campo da direita, Alckmin está bloqueado por Bolsonaro, e ainda tem que se livrar das ciladas tucanas.  É Fernando Henrique lançando Huck, é Dória inventando prévias e dinamitando a aliança com o PSB, um ninho de cobras que conheço bem. Mas Bolsonaro vai se desmanchar quando começar o antagonismo. Ninguém ganha eleição dinamitando todas as pontes. Espero disputar o segundo turno com Alckmin. 

Nessa conversa com a coluna, não houve ataque a Lula, só lamentos pelo que lhe pode acontecer. Mas lembro que no PT se diz que, mesmo com Lula preso e impedido de participar da campanha, não haverá apoio a Ciro. Ele suspira:  “É preciso ter paciência, e estou tendo. Há um segmento do PT que não pensa no país nem no próprio Lula. Usam o Lula para eleger governadores e deputados. Mas Lula está certo em se manter candidato e tem minha compreensão, embora isso bloqueie meu crescimento.  Tudo vai ter sua hora. Impedido de concorrer, não creio que só crismando um candidato ele o levará ao segundo turno. Tudo vai ter sua”, diz Ciro. 

Marina, ele acha que está se anulando e se despersonalizando na medida em que se afasta da cena política. E os outros ele considera, por ora, figurantes em busca de um papel: Temer, Rodrigo Maia, Meirelles, Álvaro Dias e todos mais. Enquanto isso, diz que já ganhou a estrada, começará a percorrer o país enquanto sua equipe técnica elabora o programa de governo. Dela, destaca três nomes: Nelson Marconi, professor da FGV, Mauro Benevides Filho, secretário da Fazenda no Ceará e Mangabeira Unger, professor de Harvard, de volta ao Brasil para ajudar na campanha.  

Mas o principal é crescer nas pesquisas e ele teve apenas 8% de preferência no último Datafolha. Ele acha que só se imporá como alternativa para a esquerda  depois que a situação de Lula for resolvida.  Só então, os votos do lulismo começariam a migrar para ele, hipótese que os petistas descartam: esgotadas as chances de Lula ser candidato, o nome por ele indicado seria o estuário natural do lulismo e de todos os indignados com a situação nacional. E mais intensamente se ele virar mártir,  com a prisão.  Com um petista no segundo turno, seria hora de conversar com o PDT, o PC do B e o PSOL.

TERROR DE TEMER 

O Planalto teme, e se prepara, para a hipótese de apresentação de uma terceira denúncia contra Temer. Agora, tudo seria diferente. A base estourou e Rodrigo Maia, agora candidato, poderia montar no cavalo que já passou selado à sua porta duas vezes. Assumindo, disputaria a reeleição no cargo.



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