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Centímetros a mais nos quadris voltam a dar o que falar

Jornal do Brasil CELINA CÔRTES (CELINA.CORTES@JB.COM.BR)

As duas polegadas a mais que roubaram o título de Miss Universo da baiana Marta Rocha, em 1954, voltam a dar o que falar. A Du Loren, maior distribuidora de moda íntima do país, somou 2,6 cm à largura das peças íntimas – pouco menos que os 2,6 cm de uma polegada - para atender ao crescimento dos glúteos femininos da brasileira, como antecipou o colunista Jan Theophilo do informe JB. Efeito da corrida da mulherada às academias de ginástica para turbinar o bumbum, as novas medidas não chegam a ser unanimidade, embora professores garantam que é o principal objetivo de quem começa a malhar. 

Glúteos avantajados sempre foi uma preferência nacional, sobretudo pelas formas das negras, líderes neste quesito. Nas últimas décadas, porém, essa paixão foi transferida para os seios, à la Jayne Mansfield, numa espécie de submissão à cultura americana dominante. Embora não haja pesquisas recentes a respeito, basta um passeio pela orla carioca para bater o martelo: o bumbum continua a reinar absoluto no paladar nacional. 

O mais curioso é que nem sempre essas deusas estão satisfeitas com suas generosas formas. É o caso da paulista “com alma carioca” Nathalia Furlanetto, 30, com bem distribuídos 102 cm de quadril, 58 cm de coxas, 90 cm de busto e 68 cm de cintura. Como se as medidas já não dissessem tudo, o abdome é totalmente chapado. Ela se conhece tão bem por ter sido modelo de prova, nada a ver com vaidade. Hoje trabalha com vendas. “Era bem magra quando mais nova e comecei a fazer musculação aos 15, para encorpar. Hoje gostaria de ser mais magra”, confessa ela, que divide a malhação semanal entre o Muay-thai, box tailandês, que extrai baldes de suor dos praticantes, e musculação. 

Algo parecido acontece com sua amiga, Karina Gomes, 30, que também para o trânsito nas areias do Arpoador. Ela não conhece suas medidas, sente-se, porém, cima do peso. A musculação também começou cedo, aos 13. “Nasci bem magrelinha, desenvolvi os glúteos com os exercícios. Não me sinto feliz com meu corpo”, lamenta. O geólogo Roberto Loreti Júnior, 40, companheiro de Nathalia, brinca, depois de ouvir que as belas estão insatisfeitas com seus corpos esculturais: “Para mim está tudo ótimo”. Sua preferência no corpo feminino é o olhar, a boca, “além das pernas bem torneadas e o bumbum”, acaba por admitir. 

Segundo Higor Cavalete, responsável técnico pela Fórmula Academia, apenas 5% da população praticava exercícios físicos há cinco anos. “Hoje são 3,8%. A estética é o principal motivo dessa procura”, contabiliza. “Quando elas chegam à academia querem braços definidos, abdome seco, glúteos e cochas maiores. Existe, sim, uma tendência por membros inferiores mais desenvolvidos”, aponta. Luiz Gustavo Magalhães, da mesma rede, em Copacabana, faz coro. “Realmente, a maioria das mulheres chega aqui interessada em aumentar os glúteos e os membros inferiores”. Ele sabe que o exercício ajuda, “mas também pode atrapalhar”, acrescenta, referindo-se à prática diária, sem chances de recuperação à musculatura. “A maioria quer malhar todo dia nessa busca pela perfeição”, diz. 

Apesar de se exercitar em pleno domingo na academia, o objetivo da gerente de projetos catarinense Rejane Gomes, 35, não é um corpo bombado. Ela faz musculação três vezes por semana, o que inclui muito agachamento livre ou no aparelho Smith e  elevação de quadril com peso, algumas das receitas para delinear os glúteos. Rejane também pratica ioga e, apesar das formas bem torneadas que a natureza lhe deu, esta não é sua prioridade. “Meu objetivo é ter condicionamento físico para o surfe, o que mais gosto de fazer”.



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