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Veteranos de guerra unem forças pelo controle de armas nos EUA

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Dave Baril serviu no Corpo de Marines americanos durante mais de 18 anos, foi enviado duas vezes ao Iraque e era proprietário de um fuzil.

Mas depois que um jovem matou 17 pessoas na Flórida no mês passado, no ataque mais letal a uma escola executado nos Estados Unidos nos últimos cinco anos, levou seu AR-15 a um destacamento policial e o entregou para ser destruído.

Baril é membro de um grupo de veteranos de guerra que apoiam maiores controles sobre as armas de fogo em um esforço para reduzir a violência, baseado em seu conhecimento de armas e guerra, dando credibilidade ao ácido debate que percorre o país.

Os ataques em um show em Las Vegas no ano passado e o da escola secundária de Parkland, na Flórida, "realmente me sacudiram", admite.

Baril, de 42 anos, é "totalmente a favor da Segunda Emenda" à Constituição, que garante o direito ao porte de armas.

"Mas isso não significa que todos devamos manejar um tanque, até porque os militares têm tanques", afirmou, advogando por mudanças na atual legislação sobre a posse de armas.

Tanto o ataque de Las Vegas como o de Parkland foram executados com fuzis AR-15, similares ao M4s de uso militar.

"Se vou dizer que não devemos ter essas armas na rua, não posso ter uma e falar 'bom, eu sou especial'", destaca Baril. Por conta disto, decidiu entregar seu fuzil.

- Amplificar vozes -

Depois do ataque em Parkland, Baril iniciou no Twitter a hashtag #VetsForGunReform e perguntou a alguns veteranos se havia alguém que pudesse apoiar, obtendo uma resposta positiva.

"Isso foi algo que realmente uniu o grupo e o apoio que conseguimos foi incrível", declarou Kyleanne Hunter, uma das primeiras organizadoras do Vets for Gun Reform.

"Queremos nos focar agora em amplificar as vozes desses estudantes que estão liderando o movimento", afirmou, fazendo alusão aos sobreviventes do ataque de Parkland, alguns dos quais se tornaram prominentes ativistas pela reforma da legislação sobre armas.

Hunter e seus colegas tentam ser "a voz da razão" no debate sobre o tema e "diminuir a brecha entre a esquerda e a direita", afirmou.

Para Dennis Magnasco, que serviu no Exército de 2006 a 2015, esteve no Afeganistão e é dono de armas, o ataque em Las Vegas o estimulou a falar.

"Vi o vídeo do ataque a tiros. Quando ouvi os disparos do fuzil com o dispositivo de repetição, soava muito parecido com uma metralhadora. Soava como um combate", lembrou.

"Eu tive um sentimento de que isso não está certo, temos que fazer algumas mudanças".

"Quando penso nos estudantes (...) dos Estados Unidos vendo esse tipo de coisa em suas escolas, com seus amigos... eles não estão ali para isso", afirmou.

"As coisas não deveriam ser assim".



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