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Dólar à vista sobe 0,95% e recupera perdas da véspera

Ibovespa encerra pregão em queda, ao sabor do mau humor externo

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O dólar voltou a subir nesta quarta-feira, 7, num ajuste determinado pelo cenário externo, onde tornaram a ganhar força os temores de uma guerra comercial, a partir de medidas protecionistas sinalizadas pelos Estados Unidos. Os dados fortes de emprego do relatório ADP, divulgados mais cedo, aumentaram a expectativa pelo "payroll". Já o tom levemente mais duro do Livro Bege, à tarde, teve pouca influência nos mercados de câmbio. Depois de ter caído 1,07% na terça-feira, hoje o dólar à vista subiu 0,95% e terminou o dia cotado a R$ 3,2435. 

O viés de alta da moeda americana foi determinado logo na abertura, com os mercados internacionais repercutindo a notícia de que Gary Cohn, principal assessor econômico do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu deixar o cargo. A demissão ocorreu cinco dias depois de Trump ter anunciado a intenção de sobretaxar a importação de aço (25%) e alumínio (10%). Ainda pela manhã, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou que a Casa Branca avançará com as tarifas à importação dos metais, negando que as medidas fizessem parte de uma estratégia de negociação.

No final da tarde, no entanto, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que México, Canadá "e outros" países poderão ser isentos das tarifas que Trump pretende impor. Ela também confirmou que o presidente deve assinar um decreto sobre o assunto até o final da semana. As declarações vieram após reclamações por parte do governo canadense sobre o plano de tarifação da Casa Branca, em meio às negociações para uma revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)

"Com a ausência de algum fator interno mais concreto, nos últimos dois dias o mercado brasileiro seguiu 'ipsis litteris' a tendência internacional, fazendo os mesmos movimentos", disse Ricardo Gomes da Silva, diretor da Correparti. "E hoje prevaleceu a convicção de que os EUA vão levar adiante as medidas protecionistas", afirmou.

As fortes quedas dos preços do petróleo, em meio aos temores de excesso de oferta, foram outro fator de pressão sobre o dólar. A commodity teve perdas próximas de 3% ao longo do dia que enfraqueceram as divisas de países emergentes e exportadores de petróleo. Ao final da tarde, o dólar mantinha alta ante praticamente todas essas divisas, à exceção do dólar canadense e do peso mexicano, pela menção feita por Sarah Huckabee Sanders.

Ibovespa

A bolsa operou nesta quarta-feira, 7, ao sabor do mau humor externo, com os investidores pautados tanto pela continuidade das incertezas sobre a imposição de barreira tarifária para o aço e alumínio quanto pelo forte recuo nas cotações do petróleo.

O Ibovespa chegou a perder o patamar dos 85 mil durante a maior parte da sessão de negócios, mas recuperou o nível perto do final do pregão quando desacelerou o ritmo de queda em linha com o movimento visto nos pares em Nova York. O Ibovespa fechou em baixa de 0,20%, aos 85.483,55 pontos, com giro financeiro de R$ 10,7 bilhões.

De acordo com Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor, um dos temores que levaram os investidores a optarem pela cautela está fundamentado em quem poderia substituir Gary Cohn, agora ex-assessor econômico do governo de Donald Trump e um crítico às medidas protecionistas. O pano de fundo é que, no caso de uma eventual guerra comercial, os preços tenderiam a subir e, por consequência, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) teria de ajustar mais fortemente sua política monetária. Essa incerteza sobre o aperto dos juros tem influenciado o humor dos mercados acionários, principalmente depois que foram divulgados dados mais fortes do emprego americano.

No final da tarde desta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o governo já pensa em isentar das salvaguardas países como México, Canadá "e outros", principalmente do grupo Nafta. Em meio a essas declarações, os principais índices acionários de Wall Street reduziram as perdas assim como, por aqui, o Ibovespa. 

Para além de questões protecionistas, as quedas nas cotações do petróleo influenciaram negativamente as ações da Petrobras assim como, segundo Santos, os ruídos em torno da política de preços da estatal petroleira gerados pela interpretação do mercado sobre as declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. "As explicações que se seguiram não foram capazes de apaziguar a desvalorização dos papéis da empresa em um dia de queda forte do petróleo", disse.

As ações da Petrobras fecharam em queda de 1,35% (ON) e 1,05% (PN). Ainda entre as blue chips, Vale ON recuou 0,51% e, no setor financeiro, Itaú Unibanco caiu 0,13%, Bradesco perdeu 1,77% e Banco do Brasil desvalorizou 0,69%.

Fonte: Estadão Conteúdo



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