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Exército faz nova operação na Vila Kennedy

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O Exército lançou nesta quarta-feira (7) uma nova operação na comunidade Vila Kennedy, zona oeste do Rio de Janeiro, a terceira desde que o presidente Michel Temer assinou um decreto transferindo o comando dessas operações contra o crime organizado para as Forças Armadas.

O dispositivo envolve 900 homens, apoio de blindados, helicópteros e equipamentos de engenharia pesada para a "estabilização" e "desobstrução de ruas" na comunidade, informou o comando a cargo da segurança do estado.

A Polícia Civil "poderá emitir mandados de prisão", acrescentou a dependência.

O Exército também pode fechar algumas vias e restringir o espaço aéreo "para aeronaves civis".

No sábado, os militares já estiveram na Vila Kennedy para retirar as barricadas colocadas pelos traficantes nas ruas a fim de obstruir a passagem, mas estas reapareceram pouco depois que o contingente saiu.

Em uma praça da comunidade, onde fica um pequeno mercado, dezenas de soldados fortemente armados chegaram junto com um veículo blindado. E em uma das ruas principais outros militares paravam pessoas que circulavam de moto para controles de identificação, constatou a AFP.

"Quando os militares estão aqui, a situação se tranquiliza. Mas quando vão embora, volta o inferno. O governo deveria ter outras prioridades, como melhorar a educação para que os jovens não vejam o tráfico como a única opção", diz Rosanne Pinheiro, vendedora de uma banca de jornal de 49 anos.

"Nem me lembro de quantas vezes tive que me esconder porque estava tendo tiroteio", conta, enquanto mostra uma marca de bala na parede da banca.

Vila Kennedy já teve uma intervenção em 23 de fevereiro no âmbito da operação anterior de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que desde julho do ano passado enviou 8.500 militares ao Rio para apoiar as forças policiais.

Nesse caso, mais de 3.200 militares entraram na comunidade e geraram polêmica ao obrigar os moradores a pararem para que tirassem foto de suas carteiras de identidade para verificar se tinham antecedentes criminais, uma medida considerada por várias ONGs com um "fichamento".

No mês passado, o governo decidiu intervir na área de segurança do estado do Rio de Janeiro para deter "a metástase" da violência - segundo a definição de Temer -, que começou após os Jogos Olímpicos 2016, principalmente relacionada ao tráfico de drogas.

A medida, sem antecedentes desde o retorno da democracia em 1985, foi criticada por defensores dos direitos humanos, que temem que a população das comunidades venha a sofrer abusos durante as operações.

"Se você observar as operações anteriores, todas as vezes que nós entramos nas favelas não houve praticamente confrontos", disse o interventor, o general Walter Souza Braga Netto, em uma entrevista com a GloboNews divulgada nesta quarta-feira, assegurando que seu corpo não faz "fichamentos" e que essas fotografias dos moradores eram para agilizar procedimentos sem ser nada "ilegal".



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