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Aposta dobrada

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Não foi por falta de opção, ou só por isso, que o presidente Michel Temer optou pela transferência do ministro da Defesa, Raul Jungmann, para o novo Ministério da Segurança Pública. Nem a escolha de um general do Exército para substituí-lo foi um afago aos militares. O que a escolha de Jugmann representa é o avanço de Temer no plano de fortalecer-se com uma vigorosa ação nesta área, na sequência da intevernção no Rio, sonhando com a reeleição e buscando, no mínimo, um papel mais relevante na eleição e café quente até o fi m do mandato. Pra isso, em todas as frentes, precisará de  operadores afi nados com o plano e seus objetivos. É o caso de Jungmann.  Já a escolha de um general do Exército para comandar a Defesa, quebrando a sequência de ministros civis, tem que ser passageira para evitar ruídos na área militar. 

Jungmann, afi nadíssimo com o ministro Moreira Franco,  é um arqueiro do chamado Plano Temer, pelo qual o presidente mais impopular de todos os tempos, ao trocar de agenda, espera conquistar uma aprovação tardia que lhe permita a candidatura.  Quando Moreira e outros auxiliares tentaram convencer Temer a fazer uma intervenção completa no Rio, Jungmann é que foi cogitado como interventor civil para substituir o governador Pezão. Ele já vinha cogitando a hipótese de transferir seu domicílio eleitoral para o Rio, onde disputaria o governo do estado com o apoio do PMDB, que depois da derrocada do grupo de Sergio Cabral, não dispõe de nome algum.  Como interventor, suas chances eleitorais seriam altíssimas, em caso de sucesso da intervenção. Agora, ele teria se comprometido a não deixar o novo cargo para concorrer a qualquer posto. Não teria sentido entrar agora para sair em abril. Temer então mata coelhos com a escolha de Jugmann. Ele faz parte do plano político e acumulou experiência nas questões de segurança. Desgastou-se com segmentos militares e também por isso a remoção foi boa.  

Mais complicada será a escolha defi nitiva do ministro da Defesa, uma vez que o general Joaquim Silva e Luna foi anunciado como interino. Temer terá que encontrar logo um civil com perfi l para o cargo e bem aceito pelas três armas.  Nunca, desde a criação da pasta em 1998, pelo ex-presidente Fernando Henrique, o cargo foi ocupado por um militar, exatamente para evitar melindres entre elas. A Aeronáutica e a Marinha, na época, deixaram claro que aceitariam o comando de um civil  mas não  o de um general do Exército, o que as fariam sentir-se diminuídas.  Da mesma forma, o Exército explicitou a resistência que haveria em suas fi leiras a um ministro que fosse almirante ou brigadeiro. O general Luna, portanto, deve fi car no cargo por pouco tempo.  Dobrando a aposta na imagem do presidente “linha dura contra a criminalidade”, dependente das Forças Armadas, Temer não pode criar ruídos entre elas. 

Temer e Maia

Para aprovar a MP do novo ministério,  Temer volta a precisar de Rodrigo Maia, que ainda não digeriu suas desfeitas. Foi atropelado na intervenção no Rio e sua candidatura a presidente é criticada por palacianos.  O deputado José Carlos Aleluia toma suas dores: “Este governo, que já teria acabado se não fosse o Rodrigo, é autofágico. O “centro”, não tendo nenhum candidato bom. tem que testar todos. Vamos lançar o Rodrigo dia 8”. Mas Geraldo Alckmin promete mundos e fundos ao DEM por uma aliança. Até o lugar de vice, cobiçado por Gilberto Kassab (PSD). 



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