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A Sala Cecília Meireles e seu diretor Miguel Proença

Jornal do Brasil MARIA LUIZA NOBRE

Semana ainda morna de concertos, mas a temporada de 2018 promete, pelo menos na Sala Cecília Meireles, o grande templo da música de câmara da cidade do Rio de Janeiro. A coluna conversa hoje com o pianista Miguel Proença, atual diretor da instituição. O segredo do sucesso? É a gestão de um artista de bem com a vida, generoso e agregador, cujo resultado transforma todos os concertos da Sala em festas de alta energia musical.

E como sempre, basta clicar na foto abaixo e o melhor da música clássica está aqui para a apreciação dos leitores. Boa semana!

Miguel, você é um excelente gestor e isso foi provado e comprovado com a excelente temporada que você realizou no ano passado na direção da Sala Cecília Meireles. Quais são seus projetos para a Temporada de 2018?

Os projetos que para este ano têm como finalidade mostrar um novo perfil na programação. Teremos, por exemplo, a volta da Orquestra Sinfônica Brasileira à Sala, realizando 30 concertos – 15 para o público em geral e no dia seguinte para a juventude. Com a OSB apresentaremos solistas de várias nacionalidades e que se destacaram  através de suas atuações em diversos países. Destacamos o Ciclo Mozart com a OSB e os solistas Christian Budu, Linda Bustani, o jovem Alexander Molofeev (aos 13 anos Concurso Tchaikovsky para Jovens). Apresentaremos outra vez a Série Lírica (que nos deu o destaque de melhor programação em 2017) iniciando com a Cantata Stabat Mater (Rossini), sob a regência  de Ricardo Rocha. Destacamos ainda um Tributo a Verdi, com a soprano Eliane Coelho e tendo a  regência do maestro Malheiros. A Orquestra Petrobras Sinfônica, aturará sob a regência de Isaac Karabtchevsky, executando programação dedicada a Brahms, teremos também o pianista russo Roman Zaslavsky. O Ciclo Brahms apresentará o melhor da música de câmara, onde colocamos conjuntos instrumentais com artistas brasileiros que sempre se destacaram em suas carreiras e que agora voltam a atuar na Sala Cecília Meireles. Destaco também a grande homenagem aos 90 anos de Edino Krieger, que consiste em dedicar toda a Temporada 2018 ao grande compositor brasileiro. Myrian Dauelsberg também será homenageada pela direção da Sala. Teremos também a participação de artistas residentes: Koh Kameda (violino) e Maria João Pires (piano). Outras grandes atrações comentarei na nossa revista periódica. Aguardem!

Existem maravilhosos pianistas no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro, com nível de atuar em qualquer platéia do planeta. Alguns tocam em menor quantidade, o que é uma pena. Além de um excelente pianista, você é um ótimo colega, e está apoiando o retorno, com mais frequência, aos palcos desses artistas. Uma atitude admirável, que você poderia expressar para a coluna.

Gosto imensamente do talento dos músicos brasileiros. Nunca esqueço a personalidade artística daqueles que sempre me agradaram. Por essa razão procuro trazê-los de volta ao palco e dar oportunidade à prática de apresentações periódicas ao público. Este ano que passou, tive grandes alegrias com a volta ao palco de renomados artistas,  que não se apresentavam em público e que receberam os merecidos aplausos,  outros virão  este ano. 

É difícil conciliar a intuição de um artista com o cerebralismo de um gestor, e você tem essas duas virtudes. Quando sobressai o artista e quando fala o gestor? 

Quando ouço ou já ouvi o verdadeiro talento. Para mim é como se fosse uma caça ao artista que se esconde, consigo convencê-lo a voltar ao palco e o concerto é um banquete.

Dica da semana - A bela Sonata de Rachmaninov para violoncelo e piano pelas mãos de Lynn Harrell e Yuja Wang



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