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Em dia de comemoração, campeãs do Rio comentam desempenho e já falam sobre 2019

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Enquanto no Sambódromo a movimentação de celebridades atrai a atenção do público, nas concentrações das escolas de samba que estão prestes a entrar na avenida, o assunto é outro. Enquanto o desfile não começa, componentes e dirigentes das agremiações fazem um balanço da folia de 2018 e já falam sobre as expectativas para o ano seguinte.

Na campeã Beija-Flor, o diretor de carnaval Laíla, que na quarta-feira após o resultado da apuração indicou que poderia deixar a escola, desconversou e disse que o assunto vai ser discutido somente na semana que vem. Ele está na agremiação desde 1989, apenas com um breve intervalo entre 1992 a 1994, quando trabalhou na Grande Rio.

Na concentração da Beija-Flor, a ex-passista Maria da Penha Ferreira Ayoub, a Pinah, que em 1978 dançou com o príncipe Charles durante uma visita dele ao Brasil e se destacou na escola entre os anos 70 e 90, agradeceu por ter participado de todos os desfiles campeões.

“Graças a Deus são 14 estrelinhas [títulos] e eu participei das 14 estrelinhas da Beija-Flor. Tenho muito orgulho cada vez que a minha escola ganha um título, cada vez que a minha comunidade fica feliz. O meu pavilhão sorri a toa, então, estou muito feliz pelo dia de hoje”, comemorou.

Para quem não figurou entre as primeiras, o desfile das campeãs vale também como avaliação. O presidente da  Mocidade Independente de Padre Miguel, Wandyr Trindade, o Macumba, se conformou com o sexto lugar da escola. “O que aconteceu conosco é que perdemos o carnaval para nós mesmos. Não tinha jeito. Gostei dos resultados de todas elas [as seis primeiras]. Foi muito bom. Para o ano que vem vamos procurar corrigir os erros”, afirmou.

Repercussão

Na Paraíso do Tuiuti, o compositor e cantor Moacyr Luz, um dos autores do samba enredo, disse que eles tinham consciência do desafio, mas não sabiam da repercussão que seria alcançada e do vice-campeonato. O enredo deste ano foi Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?, que trouxe várias críticas sociais e políticas para a avenida.

“Surpreendeu e emocionou a todos. A gente vinha de uma preocupação para que a escola não caísse e de repente a gente vê uma coisa inédita acontecer que é a escola terminar como vice-campeã, com um décimo de diferença [do 1º lugar]. Fiquei muito feliz porque o nosso samba teve quatro [notas] dez, foi o diferencial da escola”, contou.

Também antes de começar o desfile, o carnavalesco da Tuiuti, Jack Vasconcelos, contou que nos últimos dias precisou correr para reorganizar a escola para retornar à Sapucaí neste sábado. “No duro, a gente não contava que fosse voltar nas campeãs, que o nosso julgamento fosse justo, porque não é um histórico que a gente vem vendo nos últimos anos em relação às escolas consideradas com bandeira mais fraca em comparação com outras. A gente sabia que tinha um projeto bom para caramba, mas tinha medo de como seria julgado. A gente fez o que achava que tinha a fazer. Isso aqui é muito verdadeiro”, afirmou.

Jack Vasconcelos comentou ainda a repercussão das críticas políticas realizadas pela escola em várias alas, entre elas o carro alegórico que trouxe um integrante vestido de vampiro usando uma faixa presidencial. Neste sábado, a fantasia não incluía o adereço.“A gente precisava que as pessoas entendessem o que a gente estava falando. Era uma grande charge. A gente tem a consciência tranquila de que é o papel de uma escola de samba e do carnaval. O carnaval tem isso na sua essência, essa crítica, essa piada, essa coisa bem-humorada até em cima de assuntos um pouco sérios”, disse.

Segundo o carnavalesco, o título era um sonho da comunidade. “Isso aqui é a realização de um sonho de gerações, de pessoas que ajudaram a fundar esta escola, quer dizer, é um sentimento que envolve famílias e histórias”. Ele disse que pretende descansar por alguns dias para depois conversar com a diretoria da escola sobre a sua manutenção como carnavalesco.

Mangueira

Na visão da cantora Alcione, que veio em um dos carros alegóricos da sua escola do coração, a Mangueira fez os componentes e o público se divertirem. “O enredo é maravilhoso. A Mangueira resgatou o carnaval genuíno. É o que está acontecendo”, disse. Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco era o tema da escola que trouxe para avenida a histórias de outros carnavais.

A também mangueirense Beth Carvalho conseguiu participar do desfiles das campeãs neste sábado. Ela desfilaria na madrugada de segunda-feira de carnaval, mas por problemas de saúde não pode ir para a avenida. "É uma emoção muito grande e quando eu cheguei estava tocando o hino do [bloco] Bola Preta. É bom demais”, se referindo ao esquenta que a Mangueira estava fazendo com marchinhas de carnaval.

Leandro Vieira, desde 2016 na escola, adiantou que permanecerá como carnavalesco da Mangueira. “Faz parte da festa ter o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, sexto, o que sobe e o que cai. É isso. O negócio é ter humildade, reconhecer as nossas falhas e ano que vem, vir pronto para ganhar de novo. Continuo na Mangueira firme e forte”, revelou.

Portela

O presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, lamentou a colocação da escola em quarto lugar, ainda mais por ter ficado apenas dois décimos abaixo da campeã Beija-Flor. No entanto, para ele, o que vale é se manter entre as escolas que voltam a desfilar no Sábado das Campeãs. “Nos últimos anos levamos cinco troféus para casa. Isso que é importante. Mostrar a regularidade da Portela, que voltou a ser competitiva e pode ganhar a qualquer momento”, indicou, garantindo que a carnavalesca Rosa Magalhães vai ser mantida na função.

O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, que quando ocupava o cargo, costumava estar presente em todos os dias de desfiles da Sapucaí, apareceu neste sábado. Como portelense, foi para a pista como sempre fazia, beijou a bandeira da escola, abraçou integrantes e se divertiu com a bateria, mas preferiu não dar declarações à imprensa.



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