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Bombeiros enfrentam o Caveirão em incêndio na Maré

Jornal do Brasil WALMYR JUNIOR*

A tentativa do corpo de bombeiros em apagar o fogo após a tragédia que incendiou o CIEP Samora Machel, na Favela Novo Holanda no complexo da Maré, não foi feliz. Os bombeiros se depararam com a rotina dos favelados. Em meio ao incêndio na escola, nada menos do que quatro Caveirões entraram na comunidade para fazer uma operação.

A cena é inusitada, os bombeiros tentavam apagar o fogo em meio a um tiroteio! Esse contexto caracteriza o ‘dia após dia’ enfrentado pelos moradores da Maré. Centenas de crianças ficaram sem aula por conta do fogo.

Os moradores e crianças saíram da escola correndo no meio do tiroteio. Porém, essas mesmas crianças que fugiram do incêndio foram expostas ao fogo cruzado entre policiais e criminosos. Nessas horas, qualquer pessoa poderia facilmente ser um alvo. Que bom que Deus assim não quis.

A irresponsabilidade da politica de segurança pública mais uma vez colocou em risco a vida dos moradores da Maré. Só que desta vez, o corpo de bombeiros também foi colocado ao risco eminente de uma bala perdida ou achada.

A ausência de política pública na favela não é novidade. O que é nítido está reverberado na ação da polícia. A lógica é uma só: Salve-se quem puder, inclusive os bombeiros, se entrar no meio.

Os bombeiros apagaram o incêndio e não temos até o momento da publicação desta coluna informações sobre possíveis vítimas, mas a guerra de hoje apenas começou, teremos a infeliz companhia dos quatro Caveirões garantindo muito tiro a noite toda na favela.

* Walmyr Junior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.



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