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O mais importante agora é derrotar Estado Islâmico, diz presidente da França

Em discurso, Hollande anunciou necessidade de estender estado de emergência

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O presidente da França, François Hollande, em discurso a prefeitos nesta quarta-feira (18), anunciou que vai estender o estado de emergência no território nacional por mais tempo, com a adoção de medidas específicas para garantir a segurança da população. O mandatário reforçou também que o país está em guerra, e que será formada uma grande coalizão internacional para combater o Estado Islâmico (EI), com intensificação de operações na Síria e ataques "decisivos", no prazo mais curto possível.

"O que é importante agora é acabar com um exército que ameaça o mundo inteiro e não apenas alguns países mais do que outros", declarou o presidente, ponderando sobre os diferentes interesses e motivações dos países de uma aliança contra o EI. Na próxima semana, Hollande deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Hollande destacou que a França deve procurar evitar a xenofobia, e garantiu que vai acolher refugiados de países em guerra. De acordo com ele, a intenção é receber 30 mil refugiados ao longo dos próximos anos e instalar dispositivos de apoio aos municípios, com locais de acolhimento. O presidente francês salientou que as pessoas que fogem desses locais em direção à Europa são vítimas do mesmo ataque que atingiu a capital francesa.

"O dever de acolher os refugiados caminha junto com a necessidade de estender o estado de emergência", anunciou. "Não vamos ceder ao medo, aos excessos. Nossa coesão social é a melhor resposta."

O presidente aproveitou para ressaltar que a França foi atacada pelo que ela representa, pelos valores e "direitos universais" que defende, pela "luta para erradicar o terrorismo". "É isso tudo o que foi atacado na noite do dia 13 de novembro", disse Hollande, completando que o principal alvo dos ataques é a juventude francesa, que "representa a vida". "O que os terroristas querem é mergulhar nosso país na divisão."

Entre as respostas para lutar contra o grupo terrorista que atacou Paris na última sexta-feira (13), Hollande apontou para a intensificação das operações na Síria. Segundo ele, o porta-aviões francês "Charles de Gaulle" vai triplicar a capacidade de ataque. 

Hollande disse que pediu à comunidade internacional uma responsabilidade nesse combate, por se tratar de uma "necessidade comum" combater o Estado Islâmico, para "trabalhar de forma decisiva no prazo mais curto possível". A intenção é formar uma "grande aliança" para fazer "ataques decisivos" contra o EI. 

Desde a noite de 13 de novembro, Hollande decidiu estabelecer um controle maior das fronteiras e decretou o estado de emergência em todo o território nacional, estendido a departamentos além-mar, que deve durar por três meses, com algumas restrições a liberdade. Buscas serão conduzidas, inclusive na casa das pessoas, na tentativa de desmantelar redes terroristas. O recrutamento de forças de segurança também será ampliado, haverá mais policiais militares e civis nas cidades, com profissionais mais equipados. O status de refugiado aos que estão no território francês também poderá ser fornecido ou retirado a qualquer momento. "A vida tem que ser retomada", destacou.

"Essa guerra começou há muitos anos e precisamos de tempo para acabarmos com ela." Hollande pediu ainda que países como a Turquia, a Jordânia e o Líbano verifiquem as pessoas que entram no território europeu, para garantir que não exista risco para a França.



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