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Fifa emprestou, sem juros, US$ 10 milhões a Match para hospitalidade na Copa

Empréstimo aparece no balanço financeiro da empresa referente ao ano de 2012 

Jornal do Brasil CLÁUDIA FREITAS

Em meio aos escândalos envolvendo o nome da Fifa e da Match Services no esquema internacional de venda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo, o jornalista e escritor britânico Andrew Jennings solta mais uma "bomba". Jennings enviou ao Jornal do Brasil o Relatório Anual e o Demonstrativo Financeiro da Match, referente ao ano de 2012, onde aparece um empréstimo na ordem de U$ 10 milhões da Fifa para a empresa, a ser investido em acomodações para a Copa no Brasil. O empréstimo foi feito de forma generosa, sem cobrança de juros e com o prazo de pagamento para janeiro de 2015. O empréstimo está detalhado na página 19 do relatório, no item "Valores a vencer após um ano". 

Sobre o caso:

>> Máfia dos ingressos: polícia indicia 12 presos, incluindo executivo da Match

>> Jennings sobre Ray Whelan, da Match: "Ele sabe de absolutamente tudo"

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>> Justiça nega habeas corpus a argelino Lamine Fofana

>> Os bastidores da Fifa nas vendas de ingressos para a Copa no mercado negro

Nesta terça-feira (8/7), Jennings afirmou ao Jornal do Brasil que Ray Whelan conhece todo o esquema fraudulento de venda de ingressos que tem como maior fornecedor a Fifa. "Ele sabe absolutamente de tudo", garante o jornalista. Segundo Jennings, Whelan é companheiro de Ivy, irmã dos mexicanos Jaime e Enrique Byrom, sócios do sobrinho de  Joseph Blatter, presidente da Fifa, Philippe Blatter. Ivy e Whelan moram na cidade de Stockport, em Manchester. O jornalista conta também que Whelan entrou no esquema de corrupção da Match depois da Copa no México, no ano de 1986. Nessa época, os irmãos receberam a ajuda do ex-presidente da FIFA, João Havelange, conseguindo abrir uma empresa na Ilha de Mann, além de contas bancárias no exterior. 

Jennings atribuiu a Joseph Blatter, ex-presidente da Ffia, a responsabilidade de transferir a venda dos ingressos para a Copa do Mundo no Brasil para a empresa Match, num acordo fechado no ano de 2003. Na contabilidade do jornalista, foram 450.000 ingressos Vips para venda em pacotes de hospitalidade, incluindo 24 mil para as partidas das Semifinais e 12 mil para a Final. 

Ao tomar conhecimento da prisão de Ray Whelan no Rio de Janeiro, Jennings disse: "a polícia precisa saber que ele é a melhor testemunha para se chegar ao esquema de corrupção da Fifa". O jornalista é autor dos livros "Um Jogo Sujo" e "Um Jogo cada vez mais Sujo", que revela detalhes do envolvimento da Fifa no esquema internacional de cambismo. Jennings acredita que com a prisão de Ray "a história agora explode". "Ele [Ray Whelan] negocia há 25 anos os ingressos dos Byroms. Diga aos policiais que ele é o melhor testemunho que jamais poderia chegar ao topo de corrupção da FIFA. Ou será que ele quer gastar os próximos anos em Bangu?", ironizou o jornalista inglês. "Seus policiais vão ser heróis no mundo", complementou ele. 

Whelan foi preso na tarde desta segunda (7) por policiais da 18a. DP (Praça da Bandeira), em uma suíte do Copacabana Palace, onde está hospedada a cúpula da Fifa para a Copa. O executivo da Match, única empresa autorizada pela Fifa a vender as entradas do Mundial, foi acusado de ser o chefe da quadrilha internacional de cambistas. Por volta das 4h50 desta terça-feira (8), Whelan foi liberado da delegacia, por determinação da desembargadora do Plantão Judiciário do Rio de Janeiro, Marília Castro Neves Vieira, após pagamento de fiança pela Match. Whelan não compareceu para prestar depoimento na 18a. DP, apesar de uma determinação policial. 

De acordo com as investigações da polícia, Ray estaria acima do franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, preso desde a semana passada com outras 10 pessoas acusadas de participação no esquema. Os detidos em regime temporário estão no Complexo Penitenciário de Bangu. O promotor responsável pelo caso, Marcos Karc, da 9a. Promotoria de Investigação Penal (PIP) do Rio, não descartou a possibilidade de membros da Fifa estarem sendo investigados e questiona a organização não saber do esquema que envolve um volume grande de ingressos e grandes cifras no mercado negro. 

O Ministério Público do Rio de Janeiro recebeu nesta quarta-feira (9/7) o inquérito da Operação Jules Rimet, produzido pela Polícia Civil sobre a máfia internacional de cambistas de venda de ingressos para a Copa do Mundo. Doze presos, incluindo o CEO da Match Services, Ray Whelan, foram indiciados pelos crimes de cambismo e associação criminosa. A polícia pediu a prisão preventiva de 11 dos detidos desde o início da operação no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Já o franco-argelino Lamíne Fofana segue detido no Complexo Penitenciário de Bangu, junto com outros 10 membros da máfia dos ingressos. A Justiça negou o habaes corpus de Lamine Fofana, permitindo o pedido de prisão preventiva pela PC, já que o prazo de prisão temporário do suspeito encerra nesta quinta (10).



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