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Economia na era da incerteza

Jornal do Brasil PEDRO SIMON*

A economia brasileira claudica e os pessimistas de plantão já apelam para previsões catastróficas sobre a evolução dos indicadores. Acredito que a recuperação de um crescimento mais efetivo é possível, dependendo da determinação do governo. O salário e o emprego continuam registrando bons índices e isso significa que apesar do vendaval que afeta as contas públicas, a população ainda não sente os seus efeitos negativos no dia-a-dia. 

 É nítida, porém, a preocupação que assola corações e mentes  da área econômica. Nesse cenário, é compreensível a ansiedade por recolher dinheiro onde for possível para pagar as contas. Daí, decisões como o leilão de privatização do pré-sal de Libra, que rendeu de imediato R$ 15 bilhões, embora criticado pelos sindicatos e até por um ex-presidente da empresa por não atender aos interesses estratégicos do Brasil. 

Na mesma linha está a ampliação da participação do capital privado estrangeiro no Banco do Brasil, que vem crescendo desde 2006, quando era de 5,6% e foi elevada para 12,5%. Em 2009 passou para 20% e agora sofreu nova elevação chegando a 30%. Tal iniciativa provoca questionamentos, mas também ajuda a oferecer uma face mais amigável ao investidor estrangeiro.

Nos tempos de vacas gordas, ante da crise financeira global de 2008, quando a economia mundial avançava célere o Brasil surfou alegremente na onda desfrutando do bom momento. Não se cogitou no governo aproveitar a maré para aproveitar os fartos recursos em investimentos na infraestrutura do país, melhorando estradas, portos, aeroportos e ferrovias. Uma política econômica previdente nessa área seria capa de elevar o patamar da nossa economia, criando condições para uma estabilidade duradoura.  

Finalmente, temos falhas e fragilidades de controle que permitem o desperdício de bilhões. Em sonegação, ou evasão fiscal, o tesouro deixa de arrecadar anualmente cerca de R$ 200 bilhões - contando apenas as pessoas jurídicas. Ao mesmo tempo, chega a R$ 70 bilhões por ano o prejuízo econômico com a corrupção. O problema é agravado ainda quando consideramos a política do BNDES de oferecer empréstimos bilionários com juros subsidiados (do seu, do meu, do nosso dinheiro) a grupos econômicos de grande porte, com retorno nulo ou duvidoso.  De tudo isso, podemos tirar lições sobre  prioridades de governo, desperdício de dinheiro público e voluntarismo na condução da economia. 

*Pedro Simon é senador pelo PMDB/RS



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