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Calçada na Maré vira estacionamento e pedestres ficam a ver navios

Jornal do Brasil WALMYR JUNIOR*

É muito comum o grande volume de carros no tráfego das ruas da cidade no Rio de Janeiro. A cultura de não respeitar o pedestre também é recorrente. Vemos muitos abusos cometidos por motoristas. O que nos chama a atenção é que o poder público nada faz. Infrações de trânsito, motoristas alcoolizados, brigas nas ruas, etc. Mas é sobre os carros na calçadas que quero falar

Na Maré a coisa está crítica. Já não basta o morador da favela enfrentar todos os desafios de ser esquecido pelo Estado, ter que diariamente sorrir para o perigo, encarar o descaso e a ausência de políticas públicas.  Para piorar, tem que dividir a rua com um carro porque tem outro veículo tomando a calçada que, por direito, deveria ser sua.

 Na altura do número 10.946 da Avenida Brasil, em cruzamento com a Avenida Lobo Junior, na altura do numero 500, vemos um absurdo. Em frente ao Ambulatório Naval, no bairro da Penha, motoristas comentem infrações e não são punidos, ocupam o espaço do pedestre e nada acontece.

 Vemos claramente que a pobreza é sinônimo de descaso. Como a calçada fica na entrada da favela Marcílio Dias, não existe nenhum tipo de fiscalização. Assim como não existe nenhum tipo de de assistência para os pedestres que têm que enfrentar o perigo das ruas porque não há espaço para andar na calçada.

“Estudantes, crianças, idosos e toda população da Marcílio Dias estão indignados. Ninguém tem seus direitos respeitados na favela. Se o direito de ir e vir é de fato um direito, a prefeitura tem que dar uma solução” comentou a assistente social Ana Julia, moradora da comunidade.

Para Adilson Landman, 33,  morador da favela, é um absurdo isso estar acontecendo com a população. “A gente passa no meio da pista, no meio das kombis porque os carros estão estacionados na calçada. Como vamos passar? Temos que andar na rua”, afirma ele.

Todos estão esperando uma resposta do poder público. “A prefeitura já foi notificada e a Marinha também, mas ninguém toma uma providência” alegou o pescador José Fernandes.

Além da clínica que atende aos marinheiros, um quartel, também da Marinha, está instalado na região. O  Centro de Instruções da Marinha Almirante Alexandrino também ocupa grande parte da área. 

Ficamos aguardando ainda uma solução. Na expectativa de um dia o grito do pobre e excluído ser ouvido por alguém. Os moradores, no silêncio da favela, aguardam soluções. 

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro e cursa história na PUC. Representou os jovens no encontro com o Papa Francisco em sua visita ao Rio.



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