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Zona Sul do Rio vive 24 horas violentas

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Gustavo de Almeida e Renato Grandelle, Agência JB

RIO - A cobiça da quadrilha Comando Vermelho em relação às Favelas da Rocinha e do Vidigal são a verdadeira ameaça à paz e à segurança na Zona Sul. Quem garante a informação são policiais experimentados da área de Inteligência, que calculam já haver aproximadamente 70 fuzis nos morros Cantagalo e Pavão-Pavãozinho que seriam usados para a retomada.

O principal artífice da invasão é o traficante Rogério Duarte, o Rogerinho, ferido a bala em uma das tentativas de invasão à Rocinha.

Rogerinho teria ficado dois meses internado em diversas clínicas particulares da Zona Norte, usando identidade falsa, e voltou ao Morro do Pavão-Pavãozinho com o irmão, conhecido apenas como Juca Bala.

O ataque ao posto de policiamento realizado na noite de segunda-feira foi uma represália do bando à repressão imposta pelo Grupamento de Policiamento de Áreas Especiais (Gpae) do Pavãozinho, que nos últimos oito meses já apreendeu 18 armas e evitou três ataques do Comando Vermelho a outras favelas, partindo daquele morro. O atual comando do Gpae do Pavão é de um capitão e o subcomando, de um tenente. O Gpae tem aumentado a repressão e elevou em 60% o número de prisões.

A conseqüencia direta do uso do Pavão-Pavãozinho como ponto intermediário para o ataque à Rocinha é o aumento do número de assaltos. Tanto o assalto ao restaurante Garcia e Rodrigues, na madrugadada de ontem, quando o assalto ao Botequim Informal, na Rua Conde de Bernadote, na madrugada de segunda-feira, podem ter sido obra de soldados do tráfico.

Enquanto aguardam a ordem de Rogerinho para o ataque à Rocinha eles ficam "passeando" pela Zona Sul, e de vez em quando resolvem atacar algum comércio conta um agente de inteligência da Zona Sul.

Os bandidos levaram R$ 22 mil do Garcia e Rodrigues, atacado depois do horário de funcionamento. Agentes do Serviço Reservado do 23ºBPM (Leblon) começaram ontem a fazer um levantamento dos principais suspeitos. De acordo com o tenente-coronel Carlos Eduardo Millan, do 23ºBPM (Leblon), o principal acusado do assalto ao Botequim Informal, no entanto, é um ex-funcionário do estabelecimento. Millan admite que o tráfico pode estar por trás do assalto ao Garcia e Rodrigues.

Estamos trabalhando também com essa hipótese diz Millan. Fazer estes assaltos, além de ser a forma do tráfico reagir à repressão que fizemos às vendas de drogas, também é uma maneira de nos obrigar a desviar o policiamento para as áreas comerciais e deixar outras livres diz o oficial, ressaltando que a estratégia, no entanto, não funciona.

Aumentaremos a partir de hoje (ontem) à noite o policiamento, com o uso do Grupo de Ações Táticas, nos locais de maior concentração no Leblon. Mas continuaremos atentos ao que se passa nos morros, com uso da inteligência.



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