Jornal do Brasil

Sexta-feira, 20 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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Após defender "liberdade de importunar", Catherine Deneuve se desculpa com vítimas de assédio

"Nada no texto afirma que o assédio tem algo de bom, do contrário não o teria assinado", explicou

Karina Kuperman

Depois da enorme repercussão da carta publicada na semana passada em que, ao lado de outras 99 mulheres, a atriz Catherine Deneuve defendia a "liberdade de importunar" dos homens, a francesa se desculpou com as vítimas de assédio sexual em um novo artigo, publicado no jornal "Libération", nessa segunda, 15. "Cumprimento de modo fraterno todas as vítimas de atos odiosos que possam ter se sentido agredidas por este texto publicado no 'Le Monde'. É a elas, e apenas a elas, que apresento minhas desculpas", escreveu. Apesar do pedido de desculpas, a atriz de 74 anos manteve sua posição sobre o que considera "indispensável à liberdade sexual". "Efetivamente assinei a petição. Sim, amo a liberdade. Mas não amo essa característica da nossa época em que todos se sentem no direito de julgar, ser árbitros, condenar", rejeitou. 

Catherine Deneuve

O texto anterior havia sido divulgado pelo "Le Monde" dias após o assunto ser abordado na entrega do "Globo de Ouro", quando famosas vestiram preto para dar voz à luta contra o assédio. O posicionamento desencadeou indignação internacional, mas, no novo artigo, Catherine fez questão de se distanciar de comentários feitos por outras signatárias. Mais especificamente ao da ex-apresentadora de rádio Brigitte Lahaie que, durante um debate na TV, disse que mulheres podem "ter um orgasmo durante um estupro". "Eu sou uma mulher livre e sempre serei. Dizer em um canal de televisão que você pode ter um orgasmo durante um estupro é pior do que cuspir na cara de todos aqueles que já sofreram desse crime", disse.

Apesar disso, ela reafirmou que não gosta do "linchamento midiático" e do "clima de censura" que, segundo ela, foi desencadeado pela campanha #MeToo, conhecida na França como #BalanceTonPorc.  "Uma época em que simples denúncias nas redes sociais geram punições, demissões e, com frequência, linchamentos na mídia. Não desculpo nada. Não decido sobre a culpa desses homens, já que não estou qualificada para isso. E poucos estão", apontou. No novo artigo, Catherine se mostrou preocupada com uma provável censura nas artes por conta do comportamento pessoal de artistas. "Vão classificar Leonardo Da Vinci como um artista pedófilo?. Este clima me deixa sem voz e preocupada com o futuro de nossas sociedades", exemplificou. "Evidentemente, nada no texto afirma que o assédio tem algo de bom, do contrário não o teria assinado", disse. Vale lembrar que Catherine foi uma das celebs a assinar o famoso manifesto em 1971 a favor do aborto.



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