Jornal do Brasil

Domingo, 22 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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"Se uma pessoa grita comigo no trânsito, tenho vontade de chorar", diz Carolina Dieckmann

Vivendo Marion em "Treze dias longe do sol", a atriz falou sobre a rotina nos Estados Unidos

Carolina Dieckmann está vivendo uma fase realmente nova. Como se já não fosse intenso suficiente ter se mudado para Miami com o marido, Tiago Worcman, e o filho caçula, José, de dez anos, a atriz ainda vive, nas telinhas, a personagem Marion em "Treze Dias Longe do Sol". Na história, sua médica fica soterrada sob os escombros de um prédio desabado com outros 12 personagens, entre eles Saulo, seu par romântico, interpretado por Selton Mello: “É diferente de tudo o que já fiz antes”, garantiu ela, que destaca a cumplicidade com o amigo e colega de cena, com quem dividiu o set, pela última vez, há 23 anos, em "Tropicaliente". "O Selton é um sonho. Demorou, mas rolou. Sempre fica um carinho por trabalhos que você sente que chegam no coração do público. Fiquei sendo chamada de Açucena durante anos. Eu e Selton temos uma relação emotiva com essa novela e com o nosso encontro. A gente sempre teve vontade de trabalhar junto de novo", disse.

Carolina Dieckmann em "Treze dias longe do sol"

O novo trabalho a fez refletir sobre alguns dos seus medos. "Só de estar nessa situação já dá um desespero. Não é medo, é pavor. Porque mãe não pode morrer e quem tem filhos sabe disso. Você tem cuidar deles, tem que vê-los se formar, ter filhos, perguntar se levou casaco, se está com frio, se teve febre... Só mãe faz isso. E toda vez que eu pensava nisso, só queria falar para eles que eu os amo. Nossa, estou até com vontade de chorar... Porque só o amor é importante, é o que a gente leva", emocionou-se ela, que também confessa outros receios. "O trânsito, se uma pessoa grita comigo eu tenho vontade de chorar. Não xingo nem discuto. Fico muito assustada com ações violentas. Se vejo uma pessoa fora de si me dá medo, não saberia reagir, não me acho capaz. Também tenho respeito por coisas que eu não posso controlar. Por exemplo, se o mar, que eu adoro, estiver perigoso eu não entro. Sou uma mulher corajosa para um monte de coisas, mas para aquelas que eu não tenho como resolver fico com medo", assegurou.

Coragem, aliás, não falta. A decisão da mudança da vida foi rápida, tomada no momento que o marido, diretor da Viacom no Brasil - um dos maiores conglomerados de mídia do mundo - foi convidado para assumir o cargo de vice-presidente para a América Latina. “Era uma oportunidade única. Disse para ele: ‘Tiago, não existe você dizer ‘não’. Então começamos a organizar a ida", lembrou ela, que, até então, iria com a família completa. Mas o filho mais velho, Davi, de 18 anos, fruto do casamento com Marcos Frota, desistiu de acompanhá-la na véspera. "Ele estudou em escola britânica e sempre quis morar fora. Organizamos a viagem até que, três meses antes de partirmos, Davi decidiu que queria terminar o colégio aqui e ficou com o pai. Pensei em desistir de ir. Passou pela minha cabeça. Só que a gente já tinha alugado casa, eu tinha pedido dispensa da Globo, matriculado o José na escola. Não dava para voltar atrás. Não é que eu fiquei arrasada, fiquei destruída", lembrou, em entrevista à "Marie Claire" desse mês.

Carolina Dieckmann

Atualmente, porém, ela consegue ver as vantagens da decisão do primogênito. "Foi uma experiência enriquecedora para nós dois ficarmos longe um do outro. O Davi amadureceu, e eu também como mãe", analisou ela, que vem ao Brasil, no mínimo, uma vez por mês. "Lá, estou vivendo uma rotina de dona de casa que nunca tive e um dia a dia de estudante que não aproveitei na adolescência, porque comecei a trabalhar como atriz aos 15 anos. Além de feliz, me sinto grata por poder, aos 39, estudar, ir para a escola de bicicleta... Eu me sinto como se estivesse me reabastecendo. Comecei a trabalhar cedo, casei jovem, tive filho jovem. Só agora estou realmente enchendo meu potinho, colocando coisas para dentro", disse. 

Casada com Tiago há uma década, Carolina garante ser completamente apaixonada e revela não ter segredo. “Isso é algo que a gente não controla. Eu sou apaixonada pelo meu marido e ponto. Não existe um controle ‘vou manter minha paixão’. É orgânico”, analisou ela, que, perto de completar 40 anos, não se preocupa com a idade. “Não penso nisso. Acho que idade é algo muito subjetivo. Durante meu dia, tem horas que eu me sinto com 8 anos de idade, tem horas que me sinto com 80. Então eu não fico pensando que está chegando os 40. Pra mim, é uma coisa natural".



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