Jornal do Brasil

Domingo, 22 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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"Nunca me atraí por joias, não ligo para esmeraldas. Desculpa, Sophia", brinca Marieta Severo

A atriz vive a vilã de "O outro lado do paraíso" e garante ser simples: "Gosto de artesanato"

Marieta Severo tem tido a dura missão de dar vida à uma megera nas telinhas. Sua Sophia em "O outro lado do paraíso" é deslumbrada por poder e dinheiro e não mediu esforços para roubar as terras da nora Clara, vivida por Bianca Bin. Na vida real, a atriz é o oposto de quem interpreta na trama de Walcyr Carrasco. "Sou extremamente boa de coração, nunca fiz mal a uma mosca. Se houver um paraíso, estarei lá”, garantiu ela, que, aliás, não teme a morte. "Tenho uma relação sagrada com a vida. A sensação do mistério me agrada, mas tenho muita dificuldade em aceitar dogmas. Ninguém acha simpático morrer. Mas eu não acredito que a gente vá encontrar depois daqui alguma coisa que corresponda ao que o ser humano inventou. O paraíso, o inferno, o demônio, o buda... Tenho a impressão de que eu vou chegar lá e dizer: ‘Meu Deus, não era nada daquilo!’”, disse, em entrevista ao jornal "Extra".

Marieta como Sophia em "O outro lado do paraíso"

Depois de quase 15 anos no ar em "A grande família" como a simpática Dona Nenê, Marieta já deu vida à outros personagens polêmicos, mas sua dona de casa ainda é muito presente no imaginário do brasileiro, ela garante. "Por mais que detestem Sophia, as pessoas ainda me olham com ternura por causa de Dona Nenê. Estou impregnada dela e não tenho a menor intenção de apagá-la de mim. Outro dia, ouvi uma coisa curiosa: ‘Ai, Dona Nenê, tô com uma raiva de você!", contou, aos risos, em outro momento da entrevista. 

Se o que enche os olhos de Sophia no Jalapão são as esmeraldas, Marieta encantou-se mesmo pelo capim dourado, usado por artesãos locais. "Fiquei realmente envolvida pelo trabalho dos artesãos do Jalapão. Visitei um quilombo, comprei coisinhas para presentear... Adorei aquelas pessoas e me encantei com a existência do capim dourado. Eu mandava fotos para a minha família, que perguntava: 'Mas pintam o capim?'. Trouxe um chumaço ao natural para provar que é a cor real, que ele nasce assim”, contou ela, que, fora isso, coleciona bonecas de barro. "Nunca me atraí por joias, não ligo para esmeraldas. Desculpa aí, Sophia!", brincou. 

Apesar disso, aos 71 anos, Marieta é considerada uma das mais elegantes atrizes brasileiras. "Essa glamourização em torno da minha figura só existe aos olhos de quem não me conhece de verdade. Não levo vida de ostentação. A imagem sofisticada é coisa de alguma personagem que ficou na cabeça dos outros. Estou na vida pública há 52 anos, as pessoas vão colocando camadas, impressões... Talvez eu tenha uma elegância natural. Figurinistas gostam de me vestir, dizem que tudo me cai bem. Mas é pelo porte, pelo jeito... Na realidade, eu sou é da labuta! Gravo 11 horas por dia, chego em casa e ainda decoro texto, resolvo problemas. O macacão do trabalhador tem mais a ver comigo”, garantiu ela, que gosta mesmo é de um barzinho. "Bate uma inveja quando passo por um barzinho e vejo o pessoal tomando cerveja (que eu adoro!). Nunca experimentei essa vida boêmia. Tive filho cedo, trabalho desde os 18 anos". Pensa que acabou? "Ah, eu falo muito palavrão... Eu solto e aviso as minhas netas: ‘Não repete! Criança não pode!’", riu.

Marieta Severo como Nenê de "A grande família"

Falando em filhos, Marieta também tem uma relação com os seus completamente diferente da que sua vilã tem com Lívia, vivida por Grazi Massafera, Gael, de Sérgio Guizé, e Estela, interpretada por Juliana Caldas. A anã, aliás, sofre nas mãos da mãe preconceituosa. "Acho uma maravilha Walcyr estar tocando em feridas tão expostas, mas que muita gente finge não ver. Temos que ser inclementes com o racismo, não dá para relativizar! Quando minha filha Helena se casou com aquele cara incrível que é o Carlinhos Brown, eu me assustei com os olhares tortos de gente muito próxima. Dói saber que Chiquinho, meu neto, leva tapa de segurança, passa por situações constrangedoras só por ser negro", desabafou ela, sobre o neto Chico Brown, de 21 anos.

Outra bandeira levantada na trama das 21h é a violência contra a mulher. "A agressão não necessariamente é física, pode ser psicológica. E está em toda parte. Uma das minhas maiores alegrias, para compensar o retrocesso que vivemos, é a retomada do movimento feminista. Há uns dez anos, era quase cafona dizer que era feminista. Eu sempre fui! E me cansava explicar o verdadeiro significado disso. As jovens de hoje são inacreditáveis, pegaram para si essa bandeira”, comemorou.



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