Jornal do Brasil

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

Heloisa Tolipan

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Taís Araújo admite preocupação com filho: "A cor dele é o que faz com que pessoas mudem de calçada"

A atriz fez uma palestra em evento do TEDx em São Paulo e falou sobre educação

Karina Kuperman

Sempre engajada em temas sociais, Taís Araújo foi convidada para uma palestra no TEDx São Paulo e abordou o tema "Como criar crianças doces num país ácido" nessa quinta-feira, 16. A atriz aproveitou para discutir a educação dos seus herdeiros, João Vicente, de seis anos, e Maria Antônia, de dois, frutos do casamento com o também ator Lázaro Ramos.  "Eu vejo diferença entre criar meninos e meninas. Gênero é uma questão. Porque, quando engravidei do meu filho, fiquei muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem. Porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de passar por situações vivenciadas por nós, mulheres. Teoricamente, ele está livre. Certo? Errado", começou.

Taís Araujo
Taís Araujo

Vítima de ataques racistas na internet, Taís lamentou que o filho possa ser alvo de preconceito por conta de sua cor. "Errado porque meu filho é um menino negro. E liberdade não é um direito que ele vai poder usufruir se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol. Ele corre o risco de ser apontado como um infrator. Mesmo com 6 anos de idade. Quando ele se tornar adolescente, ele não vai ter a liberdade de ir para sua escola, pegar uma condução, um ônibus, com sua mochila, com seu boné, seu capuz, com seu andar adolescente, sem correr o risco de levar uma investida violenta da polícia. Ao ser confundido com um bandido. No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e blindem seus carros", disse.

E ela foi além: "A vida dele só não vai ser mais difícil que a da minha filha".

"Com a Maria Antônia eu me pego pensando o tempo inteiro em como nós mulheres somos criadas para agradar. O quanto nos silenciam e o quanto nos desqualificam o tempo inteiro. Quando penso o risco que ela corre simplesmente por ter nascida mulher e negra, eu fico completamente apavorada", lamentou a atriz, que garantiu sempre refletir sobre o assunto. "Fico elaborando o tempo inteiro uma maneira de criar meus filhos aqui, no meu país. Como criar crianças doces em um país tão ácido. Como criar crianças que acreditem que pluralidade e diversidade são riquezas em um país que é tão plural, tão diverso e tão desigual. Como não jogar sobre elas uma vivência, experiência e até uma mágoa, que é minha? Mas também, como não permitir que elas enfrentem o mundo de maneira ingênua para que não sejam atropeladas pelo racismo que existe na estrutura do nosso país", refletiu.

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