Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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SICC 2015 - Salão Internacional do Couro e do Calçado e a chancela da indústria do Sul

A feira realizada pela Merkator, em Gramado, no Rio Grande do Sul, é plataforma de lançamentos

Os olhos da indústria calçadista e dos lojistas de todo o país vão estar voltados para a cidade de Gramado (RS), no Rio Grande do Sul, entre os dias 25 e 27, quando será realizada, no Serra Park, a XXIV edição do SICC – Salão Internacional do Couro e do Calçado, promovida pela Merkator Feiras e Eventos em parceria com os sindicatos das indústrias de calçados de Estância Velha, de Ivoti, de Igrejinha, de Novo Hamburgo, de Parobé, de Sapiranga e de Três Coroas. Compradores do Norte a Sul do país vão mergulhar nas negociações do que a indústria produziu para a Primavera-Verão 2016. No total, são esperados 15 mil visitantes.

Depois de os fashionistas acompanharem as novas tendências para a estação quente no Minas Trend, vitoriosa plataforma de lançamentos em Belo Horizonte que une desfiles e salão de vendas em bem resolvida equação, na São Paulo Fashion Week, e no Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza, com sua pegada de vitrine do handmade e da moda autoral no Nordeste, veremos a sintonia do que a indústria calçadista tem para mostrar. Nesta edição, a feira calçadista gaúcha receberá nos pavilhões do Serra Park indústrias que respondem por 84% da produção brasileira de calçados e acessórios. O evento reúne cerca de 350 expositores, que representam 1,7 mil marcas de destaque no mercado nacional. Só para vocês terem uma ideia, segundo os organizadores do evento, o SICC é responsável por incrementar 70% das vendas anuais do setor que fatura anualmente R$ 26,8 bilhões. “Temos um setor altamente representativo para a produção industrial brasileira e que estará concentrado no SICC”, afirma Frederico Pletsch, diretor da Merkator, promotora do evento.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o Rio Grande do Sul é o principal exportador de calçados do país, seguido pelo Ceará e São Paulo. Nos quatro primeiros meses de 2015, os gaúchos tiveram um lucro de US$ 112,66 milhões. O segundo colocado no ranking das exportações, o Ceará vendeu o equivalente a US$ 83,84 milhões nesses quatro primeiros meses. Já os fabricantes de São Paulo tiveram US$ 42,9 milhões de receita. Como diz Frederico Pletsch, “o Rio Grande do Sul é um cluster calçadista, e a renda gerada pelo setor no estado é fundamental para o desenvolvimento local. Esperamos que a feira seja um sucesso de vendas, marcando uma virada em um ano que começou complicado”. O Rio Grande do Sul gera 102.300 mil empregos.

O principal comprador do calçado made in Brasil continua sendo os Estados Unidos. Só em abril foram exportados para os americanos 586,2 mil pares por US$ 14,37 milhões, segundo dados da Abicalçados. Um aumento de 3,2% com relação ao mesmo mês do ano passado e com todo o medo e precaução dos fabricantes brasileiros com relação ao Dragão Chinês. Nos quatro primeiros meses do ano, os americanos compraram  3,7 milhões de pares de calçados, pagando US$ 55,9 milhões. Além da questão da soberania da China em tentar devorar o mercado de calçados, o Brasil enfrenta ainda a dura questão do nosso terceiro maior importador: a Argentina, mergulhada na recessão.

Como abordamos a questão da importação de nossos calçados, quero frisar as informações que recebi sobre o SICC. Para esta edição já estão confirmadas as presenças de 100 importadores, número que, segundo os organizadores do Salão, cresceu 40% em relação ao ano passado. A ênfase será dada para países da América Latina, América do Norte (nossos maiores compradores) e Europa (a França é o segundo país a comprar o maior número de calçados brasileiros).  “Teremos em Gramado representantes de todos os continentes, que vêm ao Brasil, e em especial ao Rio Grande do Sul, para conhecer o que de melhor é produzido pela indústria nacional”, explica Frederico Pletsch. E ele ressalta ainda:  “É uma oportunidade única para o empresariado local abrir negociações com mercados que, de outra forma, não teria facilidade de acesso. Esses compradores estão vindo para levar para os seus países a moda brasileira. A sistemática é bastante dinâmica e simples. Trazemos para Gramado pessoas interessadas em comprar, e as colocamos diretamente em contato com o setor produtivo. Com isso estreitamos laços e facilitamos a concretização de bons negócios”.

Ao mesmo tempo que o SICC quer intensificar a exportação dos nossos calçados, que no mês de abril teve uma queda de 24,8% nas receitas geradas em relação ao mês de março, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (a partir de informações da Abicalçados), o mercado interno está na mira dos expositores com força total. A estimativa é de que o Salão movimente as vendas das indústrias para os meses de junho e julho. Segundo os organizadores, o SICC será o principal gerador de comercialização de calçados e acessórios para o segundo semestre deste ano, pois são fechados ali negócios com o varejo que será abastecido para a maior temporada de consumo do ano. “Para abrigar todos estes expositores estamos ampliando os pavilhões. Montamos uma estrutura provisória com mil metros de área, a fim de agregar cerca de uma dezena de novos industriais”, conta Frederico Pletsch. De acordo com o diretor, todo um trabalho tem sido feito para atender ao mercado que solicita mais espaço “tanto para novas marcas como para ampliação de área dos já tradicionais expositores.

Obviamente uma iniciativa relevante a de olharmos para o mercado interno com força total, perfeitamente adequada aos novos tempos de uma guerra travada pela moda versus economia brasileira. Como nos disse sabiamente o estilista Lino Villaventura, que apresentou uma coleção comemorativa  de seus anos de trabalho na SPFW (que também comemorava 20 anos) e desfilou seu Verão 2016 no Dragão Fashion 2015:  “Já que os responsáveis pela economia nos altos escalões não dão conta do recado e a crise galopa, precisamos nos mexer. É hora de olharmos para nós mesmos”. Perfeito, Lino. Como o site HT contou semana passada, segundo a assessoria do Minas Trend, semana de moda organizada pela Federação das Indústrias de Minas (FIEMG) em BH, os 251 expositores – 46 marcas estreantes – receberam 15 mil visitantes (incluindo 5 mil compradores, dentre eles, 750 com alto poder de decisão, incluindo representantes de grandes redes dos Emirados Árabes, França, Irlanda, Reino Unido, Austrália, Portugal e Canadá, que compareceram através da parceria com a Texbrasil) e tiveram um aumentos de vendas de 5% em relação à Primavera-Verão 2014. Mas houve quem celebrasse números bem maiores, como a calçadista Junia Machado, que superou expectativas e alega ter “aberto novas frentes”, e Silvia Salles, da Isla, que fabrica bolsas e vendeu 25% a mais do que na temporada anterior.

No SICC, mais de 85% da produção é destinada às vitrines do varejo do país, o que equivale, anualmente, a 770 milhões de pares. “Esse é o momento do encontro entre a indústria e o varejo, para encaminhar vendas que serão importantes para todo o setor, e consequentemente, para a economia do país”, atesta Frederico Pletsch. As coleções para as estações de Primavera e Verão no setor calçadista são as responsáveis pelo maior volume de vendas da indústria brasileira. Elas respondem por 70% daquilo que é produzido pelas linhas de produção em todo o ano. E no Salão Internacional do Couro e do Calçado veremos o que a indústria nacional preparou para o período, dando início às vendas de cerca de 60% dos 900 milhões de pares fabricados anualmente no país. “Essas coleções são fundamentais para o fortalecimento das indústrias e o abastecimento das linhas de produção com pedidos. Apenas 30% da produção é voltada ao Outono-Inverno. O restante começa a ser vendido agora para a estação quente”, conclui Pletsch.

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