Lollapalooza Brasil 2013: do line-up de primeira à glamourização da lama
No palco, apresentações marcantes de uma bela seleção. Fora dele, pecados graves na organização
"Mas lá fora é assim também": talvez esta tenha sido a frase mais repercutida a cada reclamação sobre a lama que dominou o Jockey Club durante os três dias da segunda edição do Lollapalooza Brasil, em São Paulo. Clarões em meio à plateia denunciavam que tal espaço era intransitável. Ali, além do odor bastante desagradável de esterco de cavalo, provavelmente havia um micropântano. "Ah, mas em Glastonbury...", diziam outros, como se a mera justificativa de que a lama é personagem de grandes festivais no exterior desse aval para que aqui também fosse protagonista. Por que é preciso ter lama no Lollapalooza? Talvez as menininhas que usavam cocar de índio à beira da Marginal Pinheiros, muito possivelmente já prontas para o Coachella (no meio da desértica cidade de Indio, na Califórnia), possam explicar a necessidade da réplica de tudo que é visto lá fora. Até a lama.
Já as filas não tiveram como ser defendidas. No primeiro dia de evento, algumas pessoas passaram três horas do lado de fora para retirar seu ingresso comprado via internet. Tickets, aliás, com uma taxa de conveniência inserida, sendo que muitos até perderam seus shows preferidos por conta de tal ineficiência, no mínimo, inconveniente.
Lá dentro as filas também davam o tom: banheiros, caixas e bares dividiam atenção com as apresentações nos palcos. Um espetáculo surpresa, digamos.









E por falar nas apresentações... o que dizer do som de alguns shows? Cake, The Killers, Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs e Black Keys foram algumas das atrações cujas performances foram, basicamente, assassinadas pelo trabalho grotesco de som nos palcos Cidade Jardim e Butantã. Quando o volume era adequado, faltava grave. Quando não faltava grave, não se ouvia os instrumentos. Quando se ouvia os intrumentos, não se ouvia o vocalista. Não fosse um festival de música, estaria tudo certo.
Um pecado grave diante de um line-up tão caprichado: com uma divisão de grade coerente e uma logística espacial impecável, a plateia do Lollapalooza Brasil 2013 teve acesso a um desfile diversificado de nomes consagrados (Pearl Jam, Cake, Queens of the Stone Age, The Killers) em meio a outros que estão se consolidando (ou são promessas fortes), como The Black Keys, Two Door Cinema Club, Toro Y Moi e Alabama Shakes.
Outro ponto a se louvar: a pontualidade. Diante de uma cena cultural que pouco respeita a disciplina de certos rituais protocolares, é de se admirar que todos os shows tenham começado na hora pré-determinada. Consideração com o público, com a imprensa e até mesmo com a própria equipe envolvida com na organização do festival.
E assim, com a força de um line-up poderoso, demanda excelente de público nos três dias e o vigor das Organizações Globo como motor principal de sua realização, o Lollapalooza Brasil se consolida como mais um grande evento no calendário nacional: sua terceira edição já está agendada para os dias 18, 19 e 20 de abril do ano que vem, novamente no Jockey Club de São Paulo. Um motivo, claro, de alegria para o público (a despeito da discussão sobre os preços enlouquecedores que dominam shows internacionais pelo Brasil).
Mas, exatamente tendo esta consolidação como base, é necessário que a equipe por trás do Lollapalooza BR resolva, de um ano para outro, certas falhas cruciais que não condizem com um evento tão prestigiado e já tão querido pelos amantes de música em todo o país.

