Fazendo a Lívia Marine: o que os fashionistas injetariam na seringa da moda?
Coluna troca droga letal da vilã de 'Salve Jorge' por elementos que estão faltando na SPFW
No mar de pautas clássicas das semanas de moda na maioria dos sites que montam acampamento na São Paulo Fashion Week está a investigação de bolsas alheias. Entre os itens indispensáveis, estão carteira, celular, batom, as chaves de casa, o convite para o desfile e uma seringa poderosa, caso você seja a Lívia Marine, a mafiosa e fashionista vilã de 'Salve Jorge', interpretada por Claudia Raia.
Os visitantes da semana de moda da vida real são bem mais pacíficos e divertidos, mas, se eles tivessem uma seringa para salvar a moda, o que injetariam nela? "Um montão de dinheiro. Ouro líquido, se possível", respondeu Glória Kalil, sem titubear. "O setor está passando por várias dificuldades. Não temos mais tecidos, o parque têxtil praticamente não existe e nós não podemos mais depender da matéria-prima que vem de fora", explica. Aproveitando esta revolução na indústria que Glória promoveria, Ellen Jabour aplicaria uma injeção de consciência ambiental. "É difícil encontrar produtos que respeitem o meio ambiente. Consigo achar cosméticos e produtos de limpeza, por exemplo, que não agridam a natureza, mas não é fácil encontrar marcas ecologicamente responsáveis", pontua a modelo e apresentadora.

A jornalista Alê Farah acredita que a moda brasileira precisa de mais auto estima e reflexão, mas não para inflar o ego de marca nenhuma. "Acho que algumas grifes precisam valorizar o seu produto, seu consumidor, sua história e não ficar olhando muito para os outros. A Forum, por exemplo, é uma marca de jeanswear, sempre foi, e eu não entendi o porquê eles fizeram um desfile pretensioso, querendo ser alta costura. Que mulher foi aquela que desfilou?", instiga. O desejo da estilista Lethicia Bronstein Pompeu segue a mesma trilha do de Alê: uma substância mágica que injetasse personalidade automaticamente. "As tendências são muito legais, mas é preciso trazê-las para a nossa realidade e personalidade. Não podemos esquecer dos clássicos. até porque são eles que, misturados às tendências, dão frescor e identidade", defende.
A injeção de Luigi Torre, editor de moda da L'Officiel vai direto na veia dos fashionistas, mas afeta diretamente seus closets e as passarelas. "Eu injetaria bom humor. Está faltando, e muito, nas pessoas e na passarela", diz, seguindo o mesmo tratamento proposto pela editora de moda italiana Viviana Volpicella, que já trabalhou com Anna Dello Russo na Vogue japonesa: "Sorrisos! Injetaria muitos sorrisos. Não adianta ter uma roupa ótima se você não está sorrindo. E é preciso sorrir por dentro, antes de sorrir por fora", aconselha, antes de nos abrir um dos mais largos que já vimos por aqui. E, convenhamos, não é preciso nem sofrer na ponta de uma agulha para exibir mais sorrisos por aí, né?


