Láurea carioca, vitória curitibana! Todos os detalhes do Prêmio Shell de Teatro!
'Esta criança', peça estrelada por Renata Sorrah, teve noite de glória em cerimônia no Rio
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Março já está marcado no calendário da turma do teatro carioca como o mês de entrega dos Prêmios Shell. Em noite de gala, nesta terça (19), reunião da nata dos palcos da Cidade Maravilhosa para a premiação dos destaques do ano, no Teatro Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico. Casa abarrotada: atores do palco e da tela, novatos e veteranos em total clima de descontração e celebração.
Começando poucos minutos após às 21h, Nicette Bruno e Beth Goulart adentraram o palco sob os aplausos empolgados da plateia, que, de tão cheia, viu alguns convidados assistirem à cerimônia de pé. Começando pelas categorias técnicas, o júri formado por Macksen Luiz, Sérgio Fonta, João Madeira, Ana Achcar e Bia Junqueira abriu a noite premiando Alexandre Elias, pela trilha sonora original de 'Gonzagão - A lenda', espetáculo de João Falcão sobre a história do músico recifense.

No momento em que os indicados a 'Melhor Iluminação' apareceram no telão, momento-fofura-completa: Mariana Lima e Drica Moraes, parceiras na vida e no palco, representando o maravilhoso 'A primeira vista', se cutucavam e riam ao se verem dançando rock em imagens da peça drigida por Enrique Díaz. Apesar da luz de 'Adeus à carne ou Go To Brazil', de Michel Melamed, ser uma das mais aplaudidas, o prêmio foi para Nadja Naira, por 'Esta criança' - inaugurando a noite triunfal para os curitibanos da Companhia Brasileira de Teatro, do diretor Marcio Abreu.
Recheando os discursos emocionados da noite, Teca Fichinski levou 'Melhor Figurino' pelo solo 'Valsa no 6', de Nelson Rodrigues, encenado pela atriz Luisa Thiré. O espetáculo de Marcio Abreu, considerado um dos melhores de 2012 por diversos veículos, voltou ao palco para consagrar o cenário de Fernando Marés. Na 'Categoria Especial', menção honrosa a trupe da 'Alfândega 88', que ocupou o Teatro Serrador com peças premiadíssimas, como 'A descoberta das Américas' e 'A alma imoral'.

Clima de tensão conforme os quatro principais prêmios da noite se aproximavam - Melhores 'Diretor', 'Ator', 'Atriz' e 'Autor'. Se os curitibanos já haviam dominado a noite, não foi surpresa ver Abreu subir ao palco para receber o prêmio de direção pelo brilhante comando do espetáculo estrelado por Renata Sorrah - a quem, inclusive, o diretor agradeceu muito, dizendo ter acontecido um "encontro para a vida".
Entre os autores da noite, embate entre os prestigiados novíssimos dramaturgos cariocas (Carla Faour, Pedro Kosovski e Julia Spadaccini pelos ótimos 'Obsessão', 'Cara de cavalo' e 'Quebra-ossos', respectivamente) e os veteranos Paulo Moraes e Maurício de Arruda Mendonça por 'A marca da água', da Armazém Companhia de Teatro. Mera coincidência ou azar dos cariocas, o prêmio caiu no colo dos paranaenses do Armazém, que, assim como o Prêmio Shell, completam 25 anos de vida neste ano.
Em disputada acirrada com Bruce Gomlevsky (por 'O homem travesseiro'), Tonico Pereira (por 'A volta ao lar') e Leonardo Medeiros (por 'O livro de itens do paciente Estevão'), Gustavo Gasparani levou a melhor por seu tour de force como a drag queen Vanilla Cherry em 'As mimosas da praça Tiradentes', arrancando aplausos emocionados da plateia.

Entre as atrizes, disputa total polarizada entre o bravo desempenho de Drica Moraes em 'A primeira vista' e a irretocável execução de Renata Sorrah em 'Esta criança', com a última levando a melhor e fazendo discurso que levantou a multidão. "Vamos reabrir os teatros dessa cidade? Assim não dá", decretou a eterna Nazaré de 'Senhora do Destino', antes da emocionante noite ser encerrada com homenagem póstuma ao ator Walmor Chagas.
Colaborou Beatriz Medeiros

