Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Heloisa Tolipan

Daniel Rocha deixa Roni, de 'Avenida Brasil', para trás e se destaca no teatro

Jovem ator é astro na peça 'Amigos, amigos, amores à parte', que entra em turnê nacional

Jornal do BrasilPor Pedro Willmersdorf

O início de carreira de qualquer profissional é sempre recheado de dúvidas, sobressaltos e medos que permeiam escolhas e são reforçados por fatos marcantes. O jovem ator Daniel Rocha, por exemplo, se mostrou ao Brasil todo em 'Avenida Brasil', novela de sucesso estarrecedor, na qual interpretou Roni, um jogador de futebol em conflito com a sua sexualidade. Um papel coadjuvante e discreto, executado com eficiência por Daniel em meio ao turbilhão dramatúrgico de João Emanuel Carneiro. E, de outubro de 2012 em diante, coube ao ator enfrentar o desafio de se desgarrar da alcunha 'Roni, de Avenida Brasil', para se transformar em Daniel Rocha, simplesmente. O primeiro passo, então, foi dado. Antes até de sua próxima empreitada na TV (a próxima novela das nove, 'Amor à vida', de Walcyr Carrasco). No palco do Teatro Eduardo Kraichete, em Niterói, Daniel já demonstra um grato plus ao que vimos em Roni.

Ele é protagonista da peça 'Amigos, amigos, amores à parte', escrita por Junior de Paula e Anna Carolina Nogueira, com direção de Michel Bercovitch. Encarna João Pedro, um advogado que, em Nova York, vive o sonho de um curso na ONU. Mas, aqui, no Brasil, deixa sua melhor e saudosa amiga, a intensa e insegura Catarina (Júlia Faria,também produtora do espetáculo). Ela nutre por JP um amor não correspondido que ganha uma carga ainda mais dramática com a adição de dois coadjuvantes cruciais.

Daniel Rocha se sai muito bem com o texto contemporâneo da peça 'Amigos, amigos, amores à parte'
Daniel Rocha se sai muito bem com o texto contemporâneo da peça 'Amigos, amigos, amores à parte'

Em NY, João Pedro conhece Ana (Mariana Molina), uma jovem libertária e muito bem resolvida, que acaba de despedir de seu roomate, o amoroso e dedicado Juliano (Fernando Roncato), jornalista esportivo que voltou ao Brasil por conta de uma proposta de emprego. Aqui, Juliano conhece e se envolve com... Catarina. Pronto: está formado o quarteto amoroso ideal para um desfile de desencontros não somente reais, como também virtuais (um simples e-mail é vértice primordial para o desencadear dos eventos finais da peça).

Com o auxílio de um texto leve, despretensioso e ácido, Daniel consegue demonstrar um timing de humor agradabilíssimo, se mostrando muito à vontade no palco. Assim como Mariana Molina, estreante no teatro e dona de uma segurança admirável para uma iniciante.

O gesso da direção de Michel Bercovitch, em determinados instantes, se mostra mais denso do que deveria, o que trava de certa forma a descontração evidente nos diálogos. O que é muito bem compensado pelo entrosamento do quarteto, um ponto positivo e regido por Michel. Destaque também para a trilha sonora hipster-brazuca, moldura ideal de uma peça sarcástica em sua essência, baseada em quatro tipos representativos de uma realidade muito fácil de ser reconhecida (jovens de classe média da Zona Sul carioca), mas repletos de sentimentos, dúvidas e certezas que tangenciam a personalidade de qualquer ser humano que tem a consciência do pulsar do seu coração.

Fernando Roncato, Júlia Faria, Daniel Rocha e Mariana Molina: jovem e entrosado elenco surpreende
Fernando Roncato, Júlia Faria, Daniel Rocha e Mariana Molina: jovem e entrosado elenco surpreende

'Amigos, amigos, amores à parte' tem sua última sessão em Niterói hoje (10) e, a partir de semana que vem, entra em turnê nacional. Dias 16 e 17 estará em Natal (RN). Depois passa por Fortaleza, Manaus e Salvador. Não perca.

Por Pedro Willmersdorf

colunaheloisatolipan@gmail.com

Tags: anna carolina nogueira, fernando roncato, heloisa tolipan, júlia faria, junior de paula, mariana molina, michel bercovitch, teatro eduardo kraichete

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