'José do Egito': texto frágil é compensado por direção segura e bela fotografia
Nova minissérie bíblica da Record esbanja esmero técnico, mas peca na essência da teledramaturgia
Confira também o nosso blog.
Uma estreia de respeito: assim pode ser encarado o início da jornada de 'José do Egito', nova minissérie da Record, de autoria de Vivian de Oliveira e direção de Alexandre Avancini. Logo no primeiro capítulo, ficou visível o esmero técnico da Record, que investiu quase R$ 25 milhões na trama, com filmagens no deserto do Atacama, tomadas panorâmicas do Egito e uma cidade cenográfica imensa no Recnov. Sem contar a fotografia: impecável, trazendo tintas épicas à história e expondo a aridez da região retratada em seu roteiro.
Avancini, mais uma vez, mostra segurança em seu comando, alternando longos e belos planos que ambientam o telespectador (quase nos levando ao Egito) com sequências que inserem os personagens em primeiro plano sem ignorar a vigorosa secura estética ao seu redor. Talvez a única pedra no caminho do diretor de 'José do Egito' seja a insegurança de alguns de seus comandados, como, por exemplo, Paulo Nigro (Siquém) e Babi Xavier (Elisa), que ficaram devendo em suas interpretações no primeiro capítulo. Compensados, diga-se de passagem, pela jovem Marcela Barrozo, muito bem no papel de Diná, e pela veterana Denise Del Vecchio, na pele da amargurada Lia.
Apesar da agilidade do roteiro, com um desencadear de acontecimentos em ritmo acelerado, porém bem amarrado, quem também demonstrou insegurança na estreia foi o texto de Vivian de Oliveira, frágil e didático em determinados momentos, freando a carga de emoção necessária para uma história bíblica tão intensa. Talvez, com a chegada do elenco da fase adulta (principalmente Ângelo Paes Leme como José, Larissa Maciel como Poti e Leonardo Vieira como o faraó) não somente as interpretações como também as palavras ganhem a força que merecem no desenrolar de 'José do Egito'.

Por Pedro Willmersdorf

