Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

Heloisa Tolipan

Em ensaio, Mangueira arrepia com duas baterias; Grande Rio mostra que tem chão

Verde-e-rosa e tricolor de Caxias levam 50 mil pessoas em mais uma noite de gala na Sapucaí

Jornal do BrasilPor Pedro Willmersdorf

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Neste domingo (13) rolou mais uma noite de ensaios na Marquês de Sapucaí, aliás, uma noite de lotação máxima, com 50 mil pessoas a postos para acompanhar os desfiles da Estação Primeira de Mangueira e da Acadêmicos do Grande Rio.

E a coluna, como prometido, esteve por lá conferindo a preparação destas duas grandes agremiações do Grupo Especial para o Carnaval 2013.

Mangueira

A grande expectativa sobre o ensaio da Mangueira girava em torno de mais uma inovação engendrada por Ivo Meirelles (presidente da escola), Ailton Nunes e Marrom (mestres de bateria). Afinal de contas, a verde-e-rosa levará para a Avenida 500 ritmistas divididos em duas baterias. Prévia que foi executada na noite de ensaio técnico. E o resultado, a princípio, soa praticamente perfeito, empolgando as arquibancadas e os componentes, que cantaram o samba a plenos pulmões.

A logística é basicamente esta: enquanto a primeira bateria se cala, assim como os quatro intérpretes da escola, a segunda bateria entra em cena puxando o canto da escola e do público. Simples assim. No entanto, basta saber se, no dia oficial, os dois grupos de ritmistas virão tão próximos como na noite de ontem (em que eram separados apenas pelo carro de som). Especula-se que, à vera, a segunda bateria venha posicionada no último setor do desfile.

Mangueira e sua torcida: escola empolgou com duas baterias em ensaio técnico na Sapucaí, em mais um ano de inovações trazida pelo presidente Ivo Meirelles (Foto: Vicente Almeida/Site Carnavalesco)
Mangueira e sua torcida: escola empolgou com duas baterias em ensaio técnico na Sapucaí, em mais um ano de inovações trazida pelo presidente Ivo Meirelles (Foto: Vicente Almeida/Site Carnavalesco)

'Cuiabá - Um paraíso no centro da América', enredo desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho, ganhou um hino que segue a fórmula que a Mangueira vem adotando há alguns anos. E, assim como nestes mesmos anos, parece que vai funcionar na Sapucaí, com um andamento agradável e convenções executadas com precisão, com o auxílio de uma afinação sensacional dos instrumentos. 

Mesmo que alguns detalhes devam ser ajustados, como o canto da escola em suas últimas alas, a Mangueira mostrou força de uma agremiação tradicional com uma pitada de modernidade, mais uma vez tendo sua bateria como responsável pelo tempero.

Grande Rio

A tricolor de Caxias, lembrando bastante a energia trazida pela Imperatriz no sábado (12), demonstrou ares de renovação em seu ensaio: mais 'chão', mais canto, mais garra,mais Duque de Caxias. E menos, muito menos celebridades. O Carnaval agradece.

Com o enredo 'Amo o Rio e vou à luta: ouro negro sem disputa... contra a injustiça em defesa do Rio', desenvolvido pelo carnavalesco Roberto Szaniecki, a escola foi bastante criticada nesse período pré-Carnaval, mas em seu ensaio exibiu uma comunidade que abraçou o trabalho de Roberto, assim como o samba, cantado com um gás surpreendente por Nêgo (de volta à escola depois de 13 anos) e por Emerson Dias, estreando como intérprete oficial da escola (e emocionadíssimo com seu début).

A bateria, comandada por mestre Ciça, tem a cara de seu tutor: acelerada, ousada e eficiente. Para muitos, o andamento veloz do samba não favorece a evolução da escola. Mas ontem, Ciça comprovou que não somente pode jogar a favor do desfile dos componentes, como também da própria bateria, que pôde executar suas convenções e paradinhas com sua competência usual.

Com menos celebridades e mais garra, Grande Rio mostrou que tem 'chão' e cantou forte em ensaio técnico na Sapucaí, vista por 50 mil pessoas (Foto: Vicente Almeida/Site Carnavalesco)
Com menos celebridades e mais garra, Grande Rio mostrou que tem 'chão' e cantou forte em ensaio técnico na Sapucaí, vista por 50 mil pessoas (Foto: Vicente Almeida/Site Carnavalesco)

Talvez a Grande Rio tenha sido a escola que mais cantou dentre os ensaios que já aconteceram do Grupo Especial na Passarela do Samba, o que demonstra uma mudança de pensamento e foco na direção de harmonia da escola e em seus componentes como um todo. Demonstração também de que Caxias tem força e canto. Na verdade, sempre teve (quem lembra da tricolor nos anos 90 sabe disso), mas suas verdadeiras estrelas andavam ofuscadas por um brilho alheio equivocado. Que bom ver o foco dos holofotes se deslocando.

colunaheloisatolipan@gmail.com

Tags: ailton nunes, Carnaval, ciça, emerson dias, heloisa tolipan, ivo meirelles, marrom, nêgo, sapucaí

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